Mineração

Após contratempos, a Anglo American conta com a recuperação da Minas-Rio

Dois vazamentos em um mês, uma paralisação de 90 dias e US $ 58 milhões em multas não são suficientes para amenizar a ambição da Anglo American por sua mineira de ferro Minas-Rio, muito atrasada no Brasil. .

Comprada no auge do boom das commodities há uma década, por US $ 5,5 bilhões, a Anglo American chegou a contar com Minas-Rio para produzir 26,5 milhões de toneladas de minério de ferro até 2016. A força da mina é seu minério de ferro de alta qualidade. a maior consumidora de commodities do mundo, a China, procura reduzir a poluição.

Minas-Rio é o maior projeto de desenvolvimento da Anglo American, e aposta no futuro do minério de ferro, mas até agora só representa uma pequena porcentagem de seus lucros totais, uma vez que ainda está em fase de crescimento.

O projeto foi adiado pelo processo de autorização labiríntica do Brasil, e a produção agora é prejudicada pelos vazamentos no gasoduto, que será fechado durante uma inspeção de três meses. O foco renovado em padrões ambientais em minas, depois de vazamentos na refinaria da Alunorte, pertencente à norueguesa, e nos oleodutos da Anglo, prejudicou suas perspectivas aos olhos de alguns investidores.

O regulador ambiental federal do Brasil, o Ibama, aplicou multas contra a Anglo American no valor de R $ 71 milhões (US $ 21,1 milhões) referentes a dois derramamentos no mês passado de um oleoduto que transporta minério de ferro da mina de Minas-Rio. Isso foi além de 125,6 milhões de reais (37,3 milhões de dólares) do estado brasileiro de Minas Gerais em 4 de abril.

O Ibama disse que precisará avaliar um relatório técnico fornecido pela Anglo após a inspeção de sua tubulação antes de retomar as operações. O Ibama não forneceu um cronograma para essa avaliação.

Os executivos da Anglo American estão confiantes de que o Minas-Rio – projeto que custou mais de US $ 8 bilhões – atingirá a meta de produção de 26,5 milhões de toneladas em 2020 e espera que a mina em breve desacelere, com uma produção estimada em apenas 10 milhões de toneladas este ano.

“Independentemente do vazamento, esperamos um fluxo de caixa muito próximo do break even (este ano)”, disse Ruben Fernandes, diretor executivo da Anglo American para o Brasil, acrescentando que espera que a empresa obtenha uma licença final vital do Brasil.

Alguns veteranos do setor vêem os problemas financeiros pesarem muito, pois o Anglo continua pagando os custos fixos e deixa de receber receita para a cara mina.

“Isso sem dúvida é um revés”, disse Anglo à Roberto Castello Branco, ex-executivo sênior da Vale e membro do conselho da Petrobrás do vazamento de Minas-Rio.

Ele acrescentou que também é negativo para a indústria de mineração brasileira, que agora pode enfrentar um exame mais rigoroso para operar uma mina em um país que sofreu repetidos danos ambientais causados ​​pela mineração.

“É uma situação em que todo mundo perde”, disse Branco.

Os mineiros rivais já retiraram a produção após seus próprios vazamentos. A Hydro reduziu pela metade sua capacidade em sua refinaria de alumina Alunorte após um vazamento, enquanto a Samarco – uma joint venture entre a BHP e a Vale – ainda não retomou a produção após o colapso da barragem em 2015, que matou 19 pessoas.

Recuperar o investimento inicial da Anglo foi complexo, mas não impossível, disse Fernandes.

Ele não citou a receita perdida durante a paralisação nos próximos meses, dizendo à Reuters que o foco está em “uma produção estável de 26 milhões e meio de acordo com o projeto. Então saberemos o custo de produção”.

Sem a permissão de expansão, Minas-Rio ficaria sem minério no final do ano.

Executivos da Anglo American minimizaram o vazamento do oleoduto, dizendo que os vazamentos não eram tóxicos e rapidamente contidos.

“Devemos estar prontos para solicitar a licença de operação no terceiro trimestre deste ano”, disse Fernandes.

Minério premium

As apostas para o Brasil são altas quando se trata de quão rígidos seus reguladores obtêm a segurança de minas, dado que o país está bem posicionado para abastecer os Estados Unidos, já que a guerra tarifária do presidente Donald Trump visa impulsionar sua indústria siderúrgica doméstica.

Uma indústria norte-americana mais robusta precisaria de mais minério de ferro e o Brasil está geograficamente na região certa para supri-la, tendo obtido uma isenção tarifária.

“Se o preço do minério de ferro continuar alto, será um ativo muito lucrativo”, disse Steve Magill, diretor de Valor Europeu da UBS Asset Management, um dos 20 principais acionistas da Anglo American.

“Mas temos que reconhecer que, devido a erros do passado, a empresa gastou uma quantia enorme nisso, então o retorno sobre o investimento total não será bom.”

Dito isso, a Anglo superou seus pares neste ano em parte devido à maior eficiência na produção de carvão e minério de ferro a granel e à forte produção de suas operações de Kumba na África do Sul.

Para o ano de 2017, as divisões mais lucrativas da Anglo American foram o carvão, seguido por minério de ferro e manganês, representando respectivamente 32 e 27 por cento do EBITDA.

O analista da RBC Capital Markets, Tyler Broda, disse que o banco continua vendo “um aumento relativo da Anglo American contra seus pares em 12 meses”, porque se recuperou bem da quebra de 2015-16, corte de custos e melhoria da eficiência. Mas adquirir licenças continua sendo uma preocupação.

Hennie Faul, CEO global da unidade de cobre da Anglo American, disse que “cada país tem seus próprios desafios”, mas o balanço da empresa estava bem posicionado para continuar desenvolvendo seus ativos no Brasil, que também incluem o níquel.

“Certamente não estamos tentando sair do Brasil”, disse Faul à Reuters em Santiago.

($ 1 = 3.3400 reais)

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