Petróleo

Campos marginais movimentam indústria

As primeiras atividades nas áreas concedidas na 4ª Rodada de campos marginais devem começar ainda no primeiro trimestre de 2018. No momento, as companhias aguardam a emissão ou a transferência das licenças de operação, mas quase todas esperam iniciar os trabalhos até abril.

Para a maioria das empresas, as atividades representam a estreia no E&P, já que cinco das seis ganhadoras são oriundas das áreas de prestação de serviços e fornecimento de equipamentos e não atuavam no segmento até então. Com a pressa para começar a produzir em meio à baixa no segmento, as “novas petroleiras” já agitam o mercado.

A Newo, por exemplo, iniciou as contratações de projetos de poço, elevação, engenharia de instalações de superfície e geoengenharia de reservatórios para Itaparica, na Bacia do Recôncavo. O campo receberá R$ 6 milhões em investimentos para a reabilitação da produção, com intervenções, testes e avaliações programados para até seis poços. Há, inclusive, a possibilidade de investimentos adicionais para a recuperação de parte das instalações de superfície existentes no campo, que recebeu a maior proposta do leilão, no valor de R$ 5,71 milhões.

“Tudo o que é possível fazer em termos de projetos e negociações pré-contratos já foi executado ou está em andamento”, explica Gabriel Sotomayor, diretor de E&P da Newo.

Ainda está em avaliação a solução de transporte e venda do gás e do petróleo da área, situação similar à da Energizzi, braço de E&P da Dimensional Engenharia, que arrematou o campo de Vale do Quiricó, na Bacia do Recôncavo. A empresa pretende implementar um projeto de geração integrada na área e já começou a definir como será feito o fornecimento de energia elétrica.

Outros trabalhos em andamento são o planejamento do workover, diagnóstico dos equipamentos instalados na boca do poço, definição do arranjo dos equipamentos de superfície e uma primeira avaliação da recuperação ambiental da área.

“Temos mantido contato com diversas empresas de locação de sondas e as negociações estão em fase de finalização. Recebemos apoio muito positivo dessas empresas, principalmente em relação ao detalhamento operacional, e percebemos que estão vendo com bons olhos as novas empresas chegando ao mercado”, comenta Dante Petroni, diretor superintendente da companhia.

A Energizzi já desembolsou cerca de R$ 1 milhão de até R$ 5 milhões que pode investir em Vale do Quiricó e teme que a demora na emissão da licença ambiental possa alterar a economicidade do projeto.

“O licenciamento ambiental é uma tarefa crítica que impacta diretamente o fluxo de caixa do empreendimento e, portanto, impacta diretamente a taxa de retorno esperada. A incerteza quanto à data de conclusão do processo ambiental dificulta o planejamento e as contratações”, conclui Petroni.

Outra companhia que está contratando é a Ubuntu, que no momento negocia com três empresas a sonda de produção terrestre que atuará em Rio Mariricu, na Bacia do Espírito Santo, e Urutau, na Bacia Potiguar. A unidade fará os trabalhos de intervenção para limpeza e restauração da produção dos poços dos campos, que juntos podem produzir 150 barris/dia de óleo inicialmente, por meio de quatro poços produtores. Também já estão em andamento os acordos para a venda da produção.

“Estamos discutindo, mas ainda não temos contrato de venda de óleo. Há alternativas, como a venda para uma petroquímica ou para empresas termelétricas”, complementa Caetano Machado, presidente da Ubuntu.

A soma dos investimentos nos dois campos entre 2017 e 2018 deve chegar a R$ 4 milhões. Uma das poucas companhias que ainda não detalha quanto investirá na área marginal é a veterana Imetame, que levou o campo de Iraúna, na Bacia Potiguar. A petroleira quer aguardar a conclusão da preparação do programa de reentrada em poços para prever os valores da campanha.

“Como se trata de um campo que estava em produção até pouco tempo, é preciso primeiro avaliar as facilidades instaladas para depois alimentar a programação de atividades”, argumenta a empresa.

Uma exceção no adiantamento dos trabalhos é a Petrol, empresa que arrematou o campo de Garça Branca, na Bacia do Espírito Santo, mas ainda não conseguiu assinar o contrato de concessão. A garantia financeira do Programa de Trabalho Inicial (PTI) entregue pela companhia não atendeu às exigências do edital e a ANP deu até o dia 15 de dezembro para que a companhia apresente uma nova versão do documento. Caso a proposta da seja aprovada, a previsão é que a assinatura ocorra até 15 de janeiro.

A redação tentou contato com a Guindaste do Brasil, que arrematou os campos de Araçás Leste e Jacumirim, ambos na Bacia do Recôncavo, mas não teve retorno.

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