Óleo e Gás

Chinesa domina disputa por unidade de gás no Comperj

O Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj) poderá falar mandarim. A chinesa Shandong Kerui está na frente na disputa para construção da Unidade de Processamento de Gás Natural (UPGN) do Comperj, na Região Metropolitana do Rio de Janeiro. A chinesa ofereceu o menor preço para executar a obra, de R$ 1,947 bilhão. A UPGN é um projeto prioritário da Petrobras para aproveitamento do gás natural que será produzido nos campos do pré-sal a partir de 2020.

As obras do Comperj estão paralisadas desde 2014 por envolvimento no escândalo de corrupção revelado pela Operação Lava-Jato. Caso a Kerui seja confirmada como a vencedora da licitação, as obras vão ganhar fôlego lideradas por empresas chinesas. A Petrobras negocia uma parceria com outra companhia chinesa, a CNPC, que inclui a possibilidade de construção de uma refinaria no Comperj, projeto que já consumiu US$ 14 bilhões.

CRIAÇÃO DE POSTOS DE TRABALHO

O prefeito de Itaboraí, Sadinoel Souza, (PMB-RJ) está otimista com a expectativa da retomada das obras da UPGN. Ele estima que serão criados 450 empregos diretos no próximo ano, um número que poderia chegar a 5 mil postos de trabalho no ano seguinte.

— O município foi muito afetado nos últimos anos com a obra parada. Estamos otimistas, mas preocupados com a infraestrutura para atender o aumento da população — destacou o prefeito.

A Petrobras não deu mais detalhes da licitação da UPGN, mas explicou que espera assinar o contrato no primeiro trimestre de 2018. A empresa disse apenas que já recebeu as propostas comerciais e financeiras. “As etapas posteriores envolvem análise de documentos, divulgação da classificação e negociação comercial, concluindo com a assinatura do contrato previsto para o primeiro trimestre de 2018”, informou.

De acordo com um executivo próximo, após a divulgação das empresas classificadas começa a fase de negociação com as companhias.

— É uma fase de diligenciamento e de negociação. A Petrobras deve pedir uma redução de preços ao vencedor, apesar de a proposta estar na faixa que a companhia imaginava. O processo deve demorar ainda porque a Petrobras está muito cautelosa— disse um executivo.

A segunda e a terceira colocadas na licitação da UPGN apresentaram propostas com valores próximos. A americana Fluor ofereceu cerca de R$ 2,28 bilhões e a espanhola Cobra/Qualiman ofereceu montante pouco superior. A terceira colocada foi a Tecnimont com R$ 4,24 bilhões.

Outra obra importante que ocorrerá em paralelo é a construção do gasoduto Rota 3, para transportar o gás natural dos campos no pré-sal da Bacia de Santos até o Comperj. A UPGN terá capacidade para processar 21 milhões de metros cúbicos por dia de gás natural. O projeto gasoduto Rota 3 é formado por aproximadamente 307 quilômetros no trecho marítimo, e mais cerca de 48 quilômetros em seu trecho terrestre.

A Petrobras destacou que não houve alteração significativa de traçado em relação ao projeto original, “sem impactos adicionais de áreas atingidas”. O trecho marítimo foi dividido em três: profundo, raso e ultrarraso. O primeiro já está em fase avançada de construção, de acordo com a Petrobras, enquanto a construção dos dois outros está em fase de licitação, com previsão de início das obras em 2018. Em relação ao trecho terrestre, a Petrobras informou que está em fase de licitação, também com previsão de início das obras em 2018.

A Kerui Petroleum está no Brasil há dois anos, e é um grupo industrial que atua nas áreas de pesquisa, desenvolvimento, fabricação de equipamentos de petróleo e serviços tecnológico de engenharia de campos petrolíferos.

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