Energia

A constante expansão prova o potencial do mercado de energia eólica

Mesmo em um ambiente macroeconômico desfavorável e sem perspectivas imediatas de mudança, a indústria eólica brasileira manteve em 2015 um ritmo acelerado. No total, de acordo com a GWEC – Global Wind Energy Council, o Brasil registrou um adicional à capacidade instalada de energia eólica da ordem de 2,75 GW, com 111 novas usinas e 1.373 turbinas, fazendo com que o ano fechasse com 8,72 GW acumulados – marca 46% superior a 2014. Isto representa energia acumulada suficiente para abastecer mais de 5 milhões de casas e um investimento de R$ 17,8 bilhões (€ 4,52 bilhões), 66% do total investido em energias renováveis em 2015.

Petróleo & Energia, Números consolidados de 2015 dão ao Brasil posição de destaque no setor de energia eólica mundial. (Fonte: GWEC – Global Wind Energy Council)

Tais números têm sido destaque no cenário mundial, uma vez que estão contribuindo decisivamente para que o país esteja novamente em posição de destaque, entre os dez maiores mercados: é o 4º país que mais investiu em energia eólica e o 10º com a maior potência eólica instalada.

Uma das barreiras ao pleno avanço do setor está na falta de linhas de transmissão suficientes nas áreas com maior potencial. Novos leilões visando uma maior capilaridade são necessários para fortalecer o sistema, e esse passo deve ser tomado por parte do Governo em breve. Certamente, continuará representando um estímulo econômico às regiões em que estão localizadas, como a Nordeste, por exemplo.

Petróleo & Energia, Números consolidados de 2015 dão ao Brasil posição de destaque no setor de energia eólica mundial. (Fonte: GWEC – Global Wind Energy Council)

Por um lado, esses números mostram um caminho próspero de desenvolvimento da fonte eólica e representam um indicador importante para o futuro. Os ganhos para a sociedade são ainda mais amplos, e para o parque industrial, significa novas oportunidades de adaptação e elaboração de novos produtos. Por outro, o setor elétrico brasileiro apresentou em 2015, mais uma vez, preocupações em relação à crise hídrica e manteve o trajeto de baixas afluências hidrológicas. Assim, iniciou o ano acompa¬nhando o risco de racionamento de ener¬gia elétrica com os reservatórios em seus níveis históricos mais baixos. A possível insuficiência de geração de energia para o atendimento do mercado nunca esteve tão em pauta. Mas, devido à retração no consumo de energia elétrica – decorrente da crise econômica e do aumento tarifário – e o aumento na geração expressiva da fonte eólica, nenhuma medida de racionamento foi necessária.

Petróleo & Energia, Capacidade instalada deve chegar a 19 GW em 2019 e 24 GW em 2024. (Fonte: ANEEL/ABEEólica)

Com o incremento de 349 usinas e 8,72 GW de potência eólica instalada, a energia eólica fechou 2015 com uma contribuição de 6,2 % na matriz elétrica brasileira. O futuro que se apresenta é promissor, conforme podemos visualizar na figura abaixo. Além disso, de acordo com o Plano Decenal de Expansão de Energia 2024 elaborado pelo Ministério de Minas e Energia, a expectativa é que a capacidade instalada seja expandida para 24 GW até o final de 2024, o que deve corresponder à segunda fonte mais importante da matriz elétrica (11,6%) e nos possibilita ter uma ideia mais concreta dos investimentos que se fazem necessários para que esta meta seja atingida. Para se ter uma ideia, o ano de 2015 encerrou com um montante de US$ 4,93 bilhões investidos no setor eólico.

Petróleo & Energia, Setor eólico foi o terceiro maior contribuinte para a capacidade instalada de energia no Brasil em 2015. (Fonte: ANEEL/ABEEólica)

Além disso, há outros números interessantes que podemos destacar. Em 2015, 11 milhões de residências (uma média mensal) foram abastecidas pela força dos ventos – 33 milhões de habitantes, considerando-se a proporção de três habitantes em cada casa – e 10,42 milhões de toneladas de CO2 deixaram de ser emitidas no período, o que equivale a uma frota de 7 milhões de automóveis.

Texto: Thiago Alves

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