Óleo e Gás

Ecometano começa a produzir biogás de aterro no Ceará

Especializada no tratamento do biogás produzido em aterros sanitários, a Ecometano inaugura hoje a sua segunda usina no país, em Fortaleza (CE). Fruto de investimentos de R$ 100 milhões, em parceria com a Marquise Ambiental, que administra o aterro Oeste de Caucaia, a nova unidade é a primeira em larga escala da companhia, que traça planos para construir mais três projetos no país, inclusive no setor agropecuário.

Fundada em 2012, a Ecometano pertence ao MDCPar, grupo brasileiro de participações e investimentos composto pelo FIFGTS (47%) e por sócios privados (53%), dentre eles Demetrius Diuana, ex-gerente da Petrobras.

O modelo de negócios difere da maioria dos projetos de biogás do país: ao invés de usar o combustível para geração elétrica, a companhia purifica o biogás, que é então convertido em biometano – produto com as mesmas características físico-químicas do gás natural – e, em seguida, injeta o combustível nas redes das distribuidoras de gás canalizado.

A Ecometano é pioneira nesse tipo de negócio, tendo sido a primeira a atender às especificações de qualidade da Agência Nacional de Petróleo (ANP) para o biometano. Desde 2014, a companhia opera o projeto Dois Arcos, em São Pedro da Aldeia, Rio de Janeiro, e fornece 10 mil metros cúbicos diários (m3 /dia) à rede da CEG Rio.

Diretor-executivo da empresa, Carlos de Mathias Martins, conta que a operação do projeto de Caucaia, que produzirá 80 mil m3 /dia numa primeira fase, marca o início de um novo ciclo para a empresa. Se nos dois primeiros desenvolvidos pela empresa os investimentos foram bancados em sua maior parte com recursos próprios, a meta agora é demonstrar aos bancos que produzir biometano é um negócio rentável e, assim, financiar seu plano de expansão com apenas 30% de capital próprio.

Os próximos seis meses serão voltados ao maior diálogo com os bancos para viabilizar financiamentos “A história dos projetos de biogás no Brasil, para geração de energia, não era vista como um modelo de sucesso. Os bancos tinham preconceito e, por sermos pioneiros [no fornecimento de biogás para distribuidoras], tivemos dificuldades de financiamento. Mas agora estamos numa mudança de patamar. Temos a expectativa de que o lucro operacional da unidade do Ceará ajude a servir de garantias para financiamentos”, explica.

Segundo Martins, os próximos seis meses serão voltados para a intensificação do diálogo com os bancos. Com a operação de Caucaia, a Ecometano espera gerar uma receita bruta de até R$ 50 milhões por ano, ante os R$ 8 milhões gerados com Dois Arcos.

Ele explica que a produção de biogás possui algumas peculiaridades operacionais que dificultam a viabilidade financeira de projetos termelétricos. O regime de chuvas, por exemplo, interfere na continuidade da produção, o que torna a flexibilidade operacional incompatível com os compromissos de despacho termelétrico.

A Ecometano tem planos de atingir, em até quatro anos, uma produção de 250 mil m3 /dia de biometano – volume equivalente a todo o consumo de gás natural do Rio Grande do Norte. O crescimento será sustentado pela expansão de Caucaia e por três projetos que a empresa tenta tirar do papel: um a partir da produção de biogás de aterro, um projeto ligado à produção de biogás de dejetos suínos e um terceiro a partir da vinhaça, subproduto da destilação da cana.

“Acreditávamos, no início, numa expansão mais acelerada dos investimentos em biogás no Brasil depois da regulamentação da Política Nacional de Resíduos Sólidos [em 2010], mas tivemos nesse caminho uma crise econômica forte. Nosso plano acabou sendo postergado, mas vejo um grande potencial no mercado brasileiro ainda. Espero mais concorrentes chegando”, disse.

Na unidade de Caucaia, em Fortaleza, a Ecometano começará produzindo 80 mil m3 /dia de biometano, para fornecimento à Cerbras, fabricante de revestimentos cerâmicos. A expectativa, contudo, é ampliar a capacidade de produção para 150 mil m3 /dia. “Há uma série e clientes potenciais no porto de Pecém que consomem GLP, diesel e coque de petróleo e que podem consumir o biogás”, afirmou.

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