Offshore

A era do petróleo digital

Em meio ao cenário de preços baixos que deve perdurar por um longo período de tempo – lower for longer, como está sendo chamado – a sobrevivência da indústria de petróleo, sobretudo a brasileira, está ligada à capacidade de as empresas trabalharem de uma forma diferente da qual trabalharam até agora. Nesse cenário as companhias de petróleo estão lançando mão de novas ferramentas que reduzam o valor e o tempo de entrada em produção dos projetos, os custos operacionais e aumentem a produtividade dos campos.

Uma das formas pelas quais as companhias vêm inovando é por meio do uso de algumas ferramentas da chamada indústria 4.0. Sistemas como processamento em nuvem, big data, data analytics, simulação, virtualização, realidade aumentada são alguns dos recursos que o setor está fazendo uso para enfrentar o cenário desafiador no qual está inserido.

Um estudo da certificadora DNV GL mostra exatamente essa movimentação. Em uma pesquisa feita com executivos das maiores companhias de petróleo mundiais, a maior parte dos respondentes afirmou que o uso inteligente de dados está entre as maiores prioridades das companhias de óleo e gás.

Embora as companhias de petróleo já façam uso de ferramentas digitais há algum tempo, novas iniciativas vêm se destacando.

No Brasil, por exemplo, a Petrobras está atenta a essas necessidades. A companhia lançou recentemente uma licitação para a contratação de uma capacidade de processamento de dados de geoengenharia (geofísica, geologia e engenharia) em nuvem 30 vezes superior à atual, algo impensado até pouco tempo na companhia devido a questões de cybersegurança. A empresa vai usar essa nova capacidade para obter resultados mais precisos no processamento sísmico, possibilitando o melhor posicionamento de poços exploratórios e de desenvolvimento.

“Há saltos que ocorrem na área de informática que temos de acompanhar, senão ficamos obsoletos. Estamos no momento de um novo salto tecnológico, que vai ser potencializado com a adoção de um novo modelo [de contratação]”, comentou Jonilton Pessoa, gerente geral de Geofísica.”

Também no país, a Ouro Negro está apostando em soluções digitais e de automação. A empresa vem usando o MODA, um sistema inteligente de monitoramento da integridade dos risers flexíveis desenvolvido por meio de uma parceria entre a PUC-Rio e o Cenpes. O MODA inclusive foi uma das tecnologias usadas no pré-sal pela Petrobras, que recebeu a Distinguished Achievement Award da Offshore Technology Conference (OTC) em 2015.

No exterior, um exemplo da aplicação das ferramentas de digitalização vem do Mar do Norte, uma das maiores regiões produtoras do planeta. A Aker BP utilizou um conjunto de soluções de digitalização e automação da Siemens que ajudou a companhia a colocar o projeto de produção de Ivar Aasen em operação nove meses antes do previsto.

O CEO da Aker BP, Karl Johnny Hersvikm destacou a importância de completar o projeto no prazo. “Completamos o desenvolvimento em um período desafiador para a indústria. Portanto, ficamos satisfeitos em termos entregue dentro do orçamento e do prazo”, disse Hersvik por ocasião do início da operação do projeto.

Já a Statoil começou a testar recentemente a tecnologia de automatização em perfurações exploratórias no Mar de Barents. De acordo com a empresa, a automatização poderá reduzir o tempo de perfuração em até 20% até 2020. A tecnologia é derivada das pesquisas em digitalização da petroleira.

“Nós ainda estamos vendo apenas o início de oportunidades de inovações oferecidas pela digitalização. Pense nas possibilidades que teríamos se todos os nossos dados sísmicos fossem analisados por inteligência artificial”, comentou Elisabeth Kvalheim, Chief Technology Officer da companhia.

A Statoil também pretende aplicar soluções de digitalização para reduzir as emissões de CO2. A expectativa é chegar a 2020 com um quarto dos fundos de pesquisa direcionados para estudos sobre redução das emissões e novas soluções energéticas.

Do outro lado do balcão, fornecedores trabalham em parceria para oferecer soluções à indústria. Recentemente, a Rolls-Royce e a DNV GL assinaram um memorando de entendimento com a empresa de pesquisa Sintef Ocean e com a Norwegian University of Technology Sciences para criar uma plataforma digital de desenvolvimento de novos navios. A plataforma permitirá a criação de “digital twins” uma cópia digital do navio real.

Nessa linha também está a Siemens, com sua ferramenta Topsides 4.0, conjunto de soluções para modelagem digital de equipamentos rotatórios, sistemas elétricos e de automação e comunicação segura ao longo de todo o ciclo de vida das plataformas de produção de óleo e gás. Com ele, a empresa promete a redução do Capex e Opex dos projetos, maior previsibilidade na concepção dos topsides das plataformas, menor tempo de projeto, maior segurança, produtividade e antecipação de riscos.

Para o líder do projeto na multinacional, Jesus Pacheco, a digitalização, mais que uma tendência, será um novo modo de as companhias de petróleo fazerem negócios. “É o início de uma jornada onde companhias e fornecedores terão de atuar juntos para fazer frente aos desafios impostos pelo setor de óleo e gás nos últimos anos”, assinalou.

Para o líder do segmento de Óleo e Gás da Siemens, Claudio Makarovsky, a adoção de ferramentas de digitalização está intimamente ligada com a capacidade de sobrevivência da indústria. “Salas de colaboração virtuais, projeto básico virtual, testes de projeto ainda em ambiente virtual, treinamento e inspeções são algumas das ferramentas que vão ajudar essa indústria a reduzir o capex e o opex e dar sustentabilidade aos projetos, independente de o petróleo estar US$ 35 ou US$ 50”, assinala.

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