Construção Civil

Grande oportunidade de infraestrutura do Brasil

Em outubro, quase 150 milhões de pessoas votarão para escolher o próximo presidente do Brasil. Não existe um favorito claro, mas independentemente de quem vença, o investimento em infraestrutura estará no topo da agenda do próximo governo. O grande gasoduto apresenta uma oportunidade única para os investidores privados.

O fosso da infraestrutura

No mês passado, um bloqueio de caminhoneiros em todo o país quase paralisou o Brasil, chamando a atenção para a infraestrutura escassa do país e para a logística que depende das estradas. Uma infraestrutura bem desenvolvida conecta pessoas, promove a integração do mercado, diminui os custos de transação e aumenta o fluxo de informações. Desde a década de 1990, o investimento em infraestrutura no Brasil tem sido insuficiente para cobrir a depreciação (Anexo 1).

Figura 1: Evolução do Investimento em Infraestrutura e Depreciação no Brasil, em percentagem do  PIB, 1990-2016

Fonte: Oliver Wyman

Enquanto a taxa de investimento do Brasil em infra-estrutura é de cerca de 2% do PIB, a China e a Índia investem entre 5,5% e 7% do PIB. Mesmo países que já possuem uma infraestrutura bem desenvolvida tendem a investir mais que o Brasil. Por exemplo, Cingapura investe cerca de 2,5% do PIB, enquanto os EUA investem mais de 2,5% apenas em infraestrutura para água e transporte.

Sem o básico

Devido ao subinvestimento, o Brasil ainda não oferece acesso universal a alguns serviços básicos básicos. Em 2015, mais de 40% dos domicílios não tinham acesso a tratamento de esgoto e mais de 15% não tinham acesso à água tratada pela rede geral.

Mais de 90% da população tem acesso a eletricidade e telefones celulares. Blackouts, no entanto, ainda são comuns. O Brasil teve em 2016 apenas 12,9 assinaturas de Internet de banda larga fixa por 100 habitantes. Em comparação, no mesmo ano, o Chile tinha 16,2 assinaturas por 100, a China 23 e os Estados Unidos 33, de acordo com a União Internacional de Telecomunicações.

Em comparação com outros países continentais, como EUA e China, a fraca logística do Brasil se destaca. O Brasil tem aproximadamente 17,5 vezes menos estradas por quilômetro quadrado do que os EUA, e a rede ferroviária do país tem apenas 15% do tamanho das redes ferroviárias nos EUA e na China (Anexo 2).

Anexo 2: Indicadores de desenvolvimento de infraestrutura

Apesar de ser a nona maior economia do mundo, o Brasil ocupa o 73º lugar em infraestrutura, com o maior nível de insatisfação entre os 28 países, segundo a Ipsos (Anexo 3).

Anexo 3: Qualidade da Infraestrutura e Nível de Insatisfação da População

Preencher a lacuna de infraestrutura exigirá investimentos de pelo menos 4% do PIB por ano durante 25 anos. Isso representa um aumento de 80%, considerando a taxa média de 2,2% do PIB de 2011 a 2016.

O transporte tem o maior déficit e exigirá um aumento de mais de 130% na taxa de investimento. Para os outros setores, o investimento precisa aumentar em mais de 50% (Anexo 4).

Figura 4: Taxas de Investimento Atuais, Estoque de Infraestrutura e Requisitos para Encerrar a Lacuna, em Percentual do PIB

Apetite enorme pelo investimento privado

Dada essa lacuna e os benefícios em empregos e produtividade que a infraestrutura traz, é provável que haja um fluxo regular de projetos entre os setores nos próximos anos. Isso exigirá investimento privado porque o governo atualmente não pode fornecer financiamento, como feito no passado, devido a uma crise fiscal maciça.

Mudanças recentes demonstram o apetite do governo pelo investimento privado. Um exemplo é a criação do Programa Brasileiro de Parcerias para Investimentos (PPI) em 2016. O PPI visa melhorar a coordenação entre os órgãos do governo e estruturar melhor a governança em torno de parcerias com o setor privado.

O PPI e os programas relacionados priorizam projetos de iniciativas anteriores, dos quais 74 já estão concluídos e 100 ainda estão em andamento. O PPI também busca disseminar melhor os projetos entre os investidores estrangeiros, por exemplo, publicando avisos e informações em inglês.

A necessidade de reduzir o risco

Atrair investimentos privados requer amplas reformas. Mais importante ainda, é fundamental mitigar os riscos legais e regulatórios, oferecendo aos investidores mais clareza e estabilidade. Também é necessário alocar riscos de forma mais eficiente. Deve ser possível transferir riscos para aqueles que têm a capacidade de gerenciá-los, ao passo que os riscos não gerenciáveis ​​são mais adequados ao setor público, o que os leva a um custo menor.

Esse processo envolve o design de leilões que estimulam riscos adequados e compartilhamento de receita. Isso também é importante não apenas para garantir o melhor uso dos recursos, concentrando-se na prestação de serviços de alta qualidade, sem excesso de preços ou sobre-investimento, mas também para refrear a renegociação oportunista.

A importância dos mercados de capitais

Muitos instrumentos podem contribuir para uma melhor alocação de risco. Por exemplo, o Congresso Nacional do Brasil está discutindo como aumentar o uso e a cobertura de títulos de oferta e títulos de desempenho, o que poderia trazer grandes benefícios para o gerenciamento de risco.

Os mercados de capitais terão um papel cada vez maior no fornecimento de financiamento de infra-estrutura. Mercados financeiros eficientes são essenciais para a promoção do desenvolvimento econômico, tanto por sua contribuição na seleção e monitoramento de projetos de investimento quanto pela mobilização de recursos.

Esta agenda urgente estará no centro das atenções em 2019 e nos próximos anos. O novo presidente terá a responsabilidade de aumentar o fluxo de recursos privados para garantir o crescimento sustentável do setor de infraestrutura no Brasil.

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