Petróleo

Petrobras está ‘quase’ virando a página

A Petrobras está, finalmente, sendo tratada como um negócio não mais como cofre aberto para pilhagem e cabide de empregos para amigos do poder. À frente da companhia há poucos meses, Pedro Parente já provocou valorização das ações da Petrobras e retomada da confiança de investidores estrangeiros. Agora ele acaba de quebrar um tabu nacionalista ao vender dois pedaços de campos do pré-sal para a francesa Total.

A “parceria estratégica”, como foi chamada pelo presidente da estatal, vai render US$ 2,2 bilhões para companhia, sendo US$ 1,6 bi direto para o caixa e o restante para investimentos. A Petrobras ganha uma parceira para atuar no Brasil, mas também poderá assumir parte dos negócios da companhia francesa em outros lugares do mundo – ampliando seu poder de produção e rentabilidade.

Com a roubalheira e a má gestão do passado recente a Petrobras perdeu muito dinheiro e, principalmente, capacidade de manter investimentos que garantissem aumento na produção.

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Depois da escolha de Pedro Parente o governo conseguiu aprovar mudanças que liberam a empresa da obrigação de explorar todas as operações do pré-sal. Ainda falta mudar a regra de conteúdo local que impôs à estatal agir contra si própria, pagando mais caro por produtos piores do que a concorrência estrangeira.

A dívida da petroleira ainda é uma das maiores do mundo, cerca de US$ 100 bi, uma enorme lembrança de que a trajetória de recuperação da Petrobras ainda tem um longo caminho a percorrer.

Como uma das maiores petroleiras do mundo, a estatal brasileira passou os últimos anos sendo usada e afrontada pelo uso político. Não é segredo que a corrupção corre pelos dutos da companhia há décadas, mas o que se viu nos últimos dez anos foi inédito.

A reação do mercado deve ser bem positiva, segundo Adeodato Netto, da Eleven Financial. “As ações devem subir e se recuperar mais”, disse ao Blog.

Eu perguntei ao economista Celson Plácido, da XP Investimentos, se a Petrobras já havia virado a página da crise drástica que viveu. “Está quase”, ele respondeu.

O negócio com a francesa Total fortalece a Petrobras e consolida Pedro Parente como seu executivo e salvador – nome fantasia de quem empresta sua credibilidade pessoal ao cargo. Parente chegou para implementar uma gestão profissional, voltada para o negócio e para seus acionistas que são os milhares de investidores mundo a fora, mas também são todos os brasileiros que pagam impostos.

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