Energia

Senai quer mais mulheres em carreiras de tecnologia e na indústria 4.0

O diretor regional do Senai/SC – entidade da Federação das Indústrias do Estado (Fiesc) – Jefferson de Oliveira Gomes, também professor do Instituto Tecnológico da Aeronáutica (ITA) está à frente do desafio de impulsionar a indústria 4.0 ou internet industrial em SC e também no país, a partir de projeto da CNI.

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Um dos maiores especialistas brasileiros sobre o tema, o professor afirma que um dos desafios é incluir mais mulheres na área de tecnologia para desenvolver produtos e soluções que geram mais valor. Jefferson Gomes integra missão coordenada pelo presidente da Fiesc, Glauco José Côrte, na Alemanha onde a entidade firmo sexta-feira uma parceria com o Instituto Fraunhofer, focada na criação de produtos inovadores nos Institutos Senai de Inovação em Laser e em Sistemas de Manufatura, em Joinville. Confira, a seguir, entrevista do professor concedida antes da viagem, na qual ele também participa do Encontro Econômico Brasil-Alemanha.

O que é a indústria 4.0 ou internet industrial?

Podemos chamar também de manufatura moderna ou manufatura avançada. A gente está chegando numa época em que as pessoas compram sentido, significado. Antigamente, você comprava um computador. Hoje você compra um acesso à internet que pode ser via computador, via smartphone. A gente aprendeu indústria como alguma coisa que transforma um produto que veio do setor primário que vai chegar no setor secundário. A indústria avançada conecta o significado ao ser humano para a função dela. Um dos desafios é conectar pela internet tudo o que envolve a indústria atual.

Quais são os tipos de manufatura avançada? 

A consultoria McKinsey diz que hoje temos as plantas brownfield. São as que acessam tecnologias como digitalização, big data, internet das coisas, inteligência artificial e outras. E no futuro, com a indústria 4.0, teremos os greenfield, que incluem indústria de altíssima escala, customização em massa e e-plant (produção por impressão 3 D).

Quanto aos setores mais promissores para essa indústria no Brasil? 

Uma indústria fantástica que temos no Brasil é a do agribusiness. Uma propriedade de 50 hectares é uma fábrica fantástica, com mecanização que vai desde a plantação, controles, colheitadeiras. A nossa indústria de alimentos também é desenvolvida e merece atenção. É de altíssima escala. Vamos usar mais inteligência para todos esses processos.

Além disso, o Brasil, como poucos países do mundo, tem capacidade de pegar petróleo no fundo do mar. Você pode pensar. Daqui a pouco, menos pessoas vão usar carro e aí não haverá demanda. Mas além do combustível, a gente usa petróleo para fabricar roupa, óculos, tintura para cabelo, batom e mais uma série de produtos. Está enganado aquele que pensa que petróleo só se usa para combustível de automóvel. E a gente conseguiu fazer como poucos fazem, pegar petróleo lá embaixo, a seis quilômetros no fundo do mar.

Na área têxtil, a Associação Brasileira da Indústria Têxtil está montando no Rio de Janeiro uma planta automatizada para testar a indústria 4.0. Aqui em SC, todos os polos de empresas de base tecnológica começam a atrair novos investidores. A gente tem lançado pela Fiesc consórcios de grandes empresas para apoiar projetos de startups.

Que tipo de profissional a indústria 4.0 precisa?

Os profissionais dessa indústria precisam ter habilidades pessoais, habilidades cognitivas. Para entender significados é preciso entender algumas coisas. Precisamos de pessoas multitarefas, que saibam trabalhar em equipe, não só de pessoas que tiram notas altas. Precisamos inverter a lógica da educação. O ideal seria primeiro ter experiência, depois ter a teoria.

Por que o senhor defende a inclusão de mais mulheres nas carreiras de tecnologia?

O Senai/SC tem 60 mil alunos por dia. Se eu conseguir colocar 20 mil mulheres, teríamos muito mais talentos diferenciados. Se a gente só melhorar máquinas, vamos melhorar apenas a produtividade, mas não aumentar a competitividade. Se conseguirmos maior participação de mulheres, vamos ampliar o conteúdo intelectual, vamos conseguir inteligências que a gente não acessou ainda, assim poderemos gerar mais negócios. Vamos incluir as mulheres nesse processo. Os Estados Unidos estão fazendo isso. Na nossa cultura latina, a mulher foi criada para ter melhor sensibilidade. Os homens, para ter maior aspereza. A combinação dessas diferenças é positiva. Fizemos um projeto de tecnologia com um grupo chamado Anitas em Florianópolis e foi um sucesso.

Como está o Senai quanto a número de mulheres estudantes? 

Não temos o número ideal. Vamos trabalhar para ampliar isso. Temos a missão do presidente Glauco José Côrte (da Fiesc) de ampliar negócios. Precisamos ensinar mais matemática e desenvolver outros processos para gerar mais negócios.

Como avalia o cenário atual para a indústria 4.0?

O parque tecnológico está bem claro. Trabalha por significado, vê qual é a função, fica conectado. Já existe robô ajudando a trabalhar, se conectando com as pessoas. Inteligência artificial é possível. A gente está num período de 10 anos de suposições de produtos porque há um conjunto de tecnologias baratas. Isso permite desenvolver novos produtos. Se eu tenho um conjunto de seis tecnologias em conta, eu tenho uma possibilidade de combinações imensas. Todos os países que estão olhando para essas tecnologias, estão concluindo que existe uma miríade de possibilidade de novos produtos e soluções. A cadeia de produção, de suprimentos, tem sido exponencialmente aumentada.

 E para Santa Catarina?

O que estamos acostumados quando se fala em startups no Brasil? De empresas de base de TI. Só que agora abrimos a possibilidade para muitas empresas de hardware. Em Santa Catarina, nos últimos 15 anos, como poucos Estados neste país, desenvolvemos diversos habitats de inovação. Florianópolis já fatura mais Imposto sobre Serviços(ISS) com tecnologia do que com turismo. Mas não é só em Florianópolis. Temos polos em Joinville, Blumenau, São Miguel do Oeste e em outras cidades. Santa Catarina tem uma economia bem diversificada. Essa diversificação pode fazer com que tenhamos uma série de pequenas empresas com alto valor tecnológico. Se você for entrevistar o pessoal da Welle, de Florianópolis, você vai descobrir isso. Pessoal que passou a pensar em desenvolver máquinas e controle de máquinas. Se for entrevistar a Pollux de Joinville, encontrará pessoal desenvolvendo robôs inteligentes e que cria uma associação nacional de internet industrial. Então você pergunta se SC  está preparada? O governo brasileiro ainda não definiu suas estratégias de setores mais importantes , mas temos setores aqui no Estado que estão preparados para serem os pilotos da indústria avançada brasileira.

Fonte: DC

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