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Setor de gás natural tem boas perspectivas para 2017

O ano de 2017 começou. A mudança no calendário representa para muitos empresários brasileiros o começo de um novo ciclo, com perspectivas positivas. O setor de gás natural, por exemplo, passou por muitas mudanças no ano passado e a expectativa agora é de retomada neste segmento. Para o presidente da Compagas, Fernando Ghignone, os desinvestimentos feitos pela Petrobrás no setor abrirão as portas para novos investidores, mas o mercado ainda carregará algumas incertezas sobre como será o cenário nesse novo momento.

O programa Gás para Crescer também é apontado por Ghignone como uma boa iniciativa plantada em 2016 e que trará frutos este ano. “[O programa] pode possibilitar uma mudança no mercado de gás natural, com a futura entrada de novos agentes, aumentando a concorrência em toda a cadeia, desde a exploração e produção até a distribuição pelas concessionárias estaduais”, afirmou. Enquanto isso, o diretor técnico-comercial da Gas Energy, Ricardo Pinto, avalia como sendo necessárias algumas mudanças na legislação. “No que refere-se à indústria do gás, seria importante encaminharmos propostas de natureza regulatória e legal em todos os elos da cadeia econômica, desde a produção, processamento, transporte e distribuição”, afirmou.

Veja a seguir as opiniões dos dois convidados, em mais uma edição da série Perspectivas 2017.

Fernando Ghignone – Presidente da Compagas

1- Como analisa os acontecimentos de 2016 em seu setor?

O setor de gás natural no país passa por um momento de transformações. As intenções de desinvestimento por parte da Petrobrás neste mercado apontam para a entrada de novos potenciais agentes e de muitas incertezas no que se trata do novo desenho deste segmento. No entanto, este cenário pode ser positivo com uma oportunidade de redesenhar um mercado mais adequado às necessidades das concessionárias de gás natural do país, a um ambiente menos concentrado e mais concorrencial.

2- Quais seriam as soluções para os problemas que o país atravessa?

Acreditamos que a iniciativa Gás para Crescer, sob coordenação do Ministério de Minas e Energia (MME), pode possibilitar uma mudança no mercado de gás natural, com a futura entrada de novos agentes, aumentando a concorrência em toda a cadeia, desde a exploração e produção até a distribuição pelas concessionárias estaduais. Além disso, esta e as demais iniciativas do setor devem garantir uma maior transparência em seus processos e contratos.

3- Quais as perspectivas para 2017? Pessimistas ou otimistas?

As principais expectativas da Compagas para o setor de gás natural são otimistas e concentram-se nos avanços das tratativas de renovação do contrato de suprimento com a Bolívia, além da continuidade das ações de viabilização de novas alternativas de suprimento para o Estado do Paraná, como o gás natural liquefeito (GNL) e o biometano. Outro tema de grande relevância para o setor será a discussão em âmbito nacional da consolidação do novo modelo de contratação da parcela de transporte do gás natural para o gasoduto Bolívia-Brasil. Também acreditamos que a iniciativa Gás Para Crescer permitirá ao país ter um gás mais competitivo, para fortalecer a indústria nacional, atrair novos investimentos e ampliar ainda mais a participação do gás natural na matriz energética brasileira.

Em 2017, nós, da Compagas, ampliaremos nossa rede de distribuição nos municípios onde já atuamos, para atendimento aos segmentos industrial, veicular, comercial e residencial. Com foco no aumento de nossa base de clientes, disponibilizaremos o gás natural para cada vez mais consumidores, com segurança e eficiência operacional. Além disso, daremos continuidade aos estudos e projetos que visam a busca de novas fontes de suprimento de gás para o Paraná.

29-12-ricardo-pinto-diretor-gas-energyRicardo Pinto – Diretor Técnico-Comercial da Gas Energy

1- Como analisa os acontecimentos de 2016 em seu setor?

Foi um ano bastante positivo para o setor, especialmente para o gás natural. O lançamento do programa Gás para Crescer trouxe uma perspectiva de que mudanças estruturais serão encaminhadas no sentido de estimular o crescimento desse mercado, através do acesso de novos players, da desconcentração, e de uma maior liquidez que reflita em maior competitividade para o gás natural. Além disso, o movimento de desinvestimento de ativos estruturantes da indústria, bem como a malha de transporte de gás na região Sudeste, para um agente privado, também gerou expectativas ao mercado de que teremos novas oportunidades para os próximos anos. Entretanto, a manutenção do preços atuais do petróleo e todo o ambiente econômico-político do país, que não é favorável, manteve o setor em compasso de espera no que refere-se a novos investimentos.

2- Quais seriam as soluções para os problemas que o país atravessa?

Os problemas que o país atravessa são os mais diversos, e não limita-se a uma ou outra solução. Mas no que refere-se à indústria do gás, seria importante encaminharmos propostas de natureza regulatória e legal em todos os elos da cadeia econômica, desde a produção, processamento, transporte e distribuição. O desenvolvimento dessa indústria passa pela expansão termoelétrica, que precisa ser atrativa para os produtores de gás, e também a importação de GNL, regulamentar o acesso ao gasodutos de escoamento e às UPGNs, revisitar o modelo de expansão de novos gasodutos de transporte, atuar no conceito de cessão de capacidade contratada para terceiros (um atributo da Agência Nacional do Petróleo), continuar evoluindo com as discussões fiscais sobre o ICMS do gás, avançar na agenda regulatória nos estados, e por aí a fora. Não há dúvidas entre os agentes de que há muito a ser feito e a agenda desenvolvimentista é ampla e complexa.

3- Quais as perspectivas para 2017? Pessimistas ou otimistas?

Devemos estar sempre otimistas. Temos que trabalhar com cenários de crescimento, de oportunidades. O mercado potencial consumidor brasileiro é enorme, os recursos já são conhecidos e o ambiente político-econômico apresenta sinais de progresso. Nossa expectativa é de que o governo consiga liderar e avançar nas discussões de uma agenda desenvolvimentista para a indústria, dando foco, especialmente, nas ações que tragam mudanças efetivas no curto prazo. O contexto para encaminhar as mudanças, já identificas, é favorável e me parece ser inexorável que a indústria do gás natural no Brasil irá se desenvolver de uma forma como ainda não aconteceu nesse país.

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