Óleo e Gás

Trabalhadores se mobilizam contra a venda da Refinaria Abreu e Lima

A venda de 60% dos ativos e do controle da Refinaria Abreu e Lima (Rnest), localizada no Complexo de Suape, entrou na pauta dos trabalhadores da estatal em Pernambuco e no Brasil. A representação da categoria de 1.100 trabalhadores da Petrobras nos estados de Pernambuco e da Paraíba aprovou a greve com 100% de aprovação em assembleia realizada na última quinta-feira, dentro de um movimento nacional de paralisação que envolve cerca de 50 mil empregados e questiona diversos ativos da estatal sendo repassados ao setor privado.

Trabalhadores de diversos estados também já aprovaram, em uma média que ultrapassa os 90%. As votações seguem até esta segunda-feira e, no dia 19 de maio, a Federação Única dos Petroleiros (FUP) se reúne no Rio de Janeiro para deliberar o início da paralisação e como acontecerão as manifestações da greve.

De acordo com o coordenador do sindicato dos petroleiros em Pernambuco e na Paraíba (Sindipetro-PE/PB), Rogério Almeida, na próxima segunda também há reuniões na Câmara dos Vereadores do Recife e na Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe), com o objetivo de debater os danos da venda em audiências públicas a serem agendadas. “É o fim da Petrobras em Pernambuco. É a entrega completa de um projeto nacional, do setor do petróleo e da indústria, que pode ser entregue a uma empresa que não terá interesse em cuidados sociais, ambientais e, em caso de empresa estrangeira, de colaborar com o avanço do país. A gente vai discutir o assunto em todas as cidades atingidas diretamente. Na próxima semana, por exemplo, também vamos à Câmara de vereadores do Cabo de Santo Agostinho e de Cabedelo, na Paraíba, onde há um terminal atingido”, destacou.

Segundo Almeida, a Refinaria é apenas um dos mais de 30 ativos colocados no radar da privatização desde que o presidente da Petrobras, Pedro Parente, assumiu. A venda dos ativos, inclusive, é justificada pelos trabalhadores como criminosa. “A Petrobras fechou com lucro de cerca de US$ 7 bilhões porque ganhou dinheiro vendendo muita coisa por baixo valor e porque parou de investir.
Calculamos que o plano de desinvestimentos tirou do Brasil o aporte de US$ 5 bilhões, que nos reflexos da mão de obra, deixou de gerar 100 mil empregos no setor (calcula-se que a cada US$ 1 bilhão investido, gera-se cerca de 20 mil empregos no setor). É um crime o que tem sido feito. Esse resultado positivo é um crime com o Brasil”, explica.
Agora, o plano dos trabalhadores é resistir. “Vai ter muita luta. Estamos estudando os instrumentos jurídicos e as manifestações públicas que serão feitas, como forma de informar a população os detalhes de como esse processo vem sendo tratado. O manifesto, que é nacional e envolve cerca de 50 mil trabalhadores, terá essa função de mostrar os riscos da venda, das perdas dos estados, da insegurança nos empregos, do impacto social de tirar do setor público um segmento estratégico e que reflete nos transportes, na economia, na geração de impostos e no social”, complementou.De acordo com levantamento da FUP, um dos lastros do movimento dos trabalhadores, a gestão de Pedro Parente já “entregou”, além dos 30 ativos estratégicos da Petrobras, diversos campos do pré-sal, sondas de produção, redes de gasodutos do Sudeste e do Nordeste, distribuidoras de gás, petroquímicas, termoelétricas e usinas de biocombustíveis.

Movimento dos trabalhadores Petroleiros
– Aprovação de greves nos estados (Até 12 de maio)
– Próxima reunião: 17 de maio, com todos os sindicatos para decidir a data da greve
 
Pleito: “Contra o desmonte da Petrobras”
 
– Contra a privatização de quatro refinarias (Refap, Repar, Rlam e Abreu e Lima), seis terminais aquaviários, seis terminais terrestres e 46 dutos, que foram colocados à venda no dia 27 de abril.
 
Além disso, 71 campos de produção terrestre, 33 campos de águas rasas e outros três de águas profundas; o setor de biocombustíveis (PBio) e a Transportadora Associada de Gás (TAG)
 
– Estados que já aprovaram greve:
Rio Grande do Sul
Espírito Santo
Pernambuco/Paraíba
Amazonas Minas Gerais
Paraná
Bahia
Paraná
Santa Catarina
Rio Grande do Norte
 
Até segunda-feira, devem aprovar:
São Paulo
Norte Fluminense
Ceará/Piauí.
 
Fonte: Diario de Pernambuco
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