Petroquímica

Ações judiciais não trazem solução a problema em Alagoas, diz Braskem

As sucessivas ações judiciais movidas contra a Braskem, com pedido de bloqueio de recursos em valores elevados, ampliam a pressão sobre a companhia e não contribuem para que se alcance uma solução para os moradores de áreas afetadas por eventos geológicos em Maceió (Alagoas), de acordo com o vice-presidente de Negócios Químicos da petroquímica, Marrcelo Cerqueira.

“O principal sentimento é o de insegurança jurídica, que se traduz em toda a cadeia produtiva”, afirmou o executivo ao Valor, acrescentando que a Braskem sempre adotou uma postura conservadora do ponto de vista financeiro, e o bloqueio de recursos bilionários traz consequências negativas não apenas para a empresa. “Uma atitude dessas cria um ambiente muito contrário ao que se quer do Brasil”, comentou.

Ontem, o Ministério Público do Trabalho de Alagoas (MPT-AL) ajuizou ação civil pública contra a companhia, com pedido de bloqueio de R$ 2,5 bilhões para futuras indenizações e de condenação da Braskem ao pagamento de R$ 1 bilhão por dano moral coletivo. A ação, assim como a movida pelo Ministério Público Estado e Defensoria de Alagoas que já levou ao bloqueio de R$ 3,8 bilhões da petroquímica, se refere ao afundamento do solo em três bairros de Maceió (AL). Sobre a ação do MPT, o executivo destaca que a iniciativa coloca em risco as operações da companhia e também seus recursos humanos. “A companhia tem compromissos para honrar, isso pode ter consequências negativas”, reiterou.

De acordo com Cerqueira, a Braskem segue trabalhando para identificar as reais causas desse afundamento do solo para então propor uma solução que seja eficiente para o problema, e não apenas retire os moradores de suas casa mesmo que contra sua vontade. A petroquímica está trabalhando com instituições internacionais nesse sentido, e contesta o laudo do Serviço Geológico Brasileiro (CPRM), que associou a extração de sal-gema pela empresa aos fenônemos geológicos. A identificação das causas, ponderou Cerqueira, leva tempo, devido à complexidade desse tipo de trabalho, sonares serão usados para a inspeção de 32 poços da companhia na região, e a expectativa é a de que até dezembro se tenha resultados e uma proposta de solução.

O executivo disse ainda que a Braskem tem mantido contatos “com algumas autoridades” para discutir o problema em Maceió e chegar a uma solução efetiva, mas ainda não se chegou a um ponto em que “todos os atores estão na mesa”. “Hoje não há articulação entre as esferas federal, estadual e municipal.

A Braskem quer buscar a reunião desses governos”. Cerqueira afirmou ainda que a companhia não quer deixar de operar no Estado, onde está há 40 anos.

 

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