Energia

Alcolumbre diz que governo não tem base para aprovar privatização da Eletrobras

Há pouco apetite político para privatizar a empresa estatal de poder Eletrobras e os legisladores se concentrarão em outras possíveis privatizações, afirmou o presidente do Senado.

Em declarações aos repórteres na noite de quinta-feira, o senador Davi Alcolumbre disse que muitos senadores, principalmente das regiões norte e nordeste do Brasil, se opõem profundamente à privatização da empresa, formalmente conhecida como Centrais Eletricas Brasileiras SA.

“Existe um sentimento: por que vamos começar com isso se houver resistência?”, Disse Alcolumbre.

Os investidores aplaudiram a idéia de privatizar a Eletrobras. No entanto, a ideia não ganhou força significativa entre os legisladores, mesmo que o governo do atual presidente Jair Bolsonaro tenha geralmente favorecido a venda de empresas estatais.

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), disse nesta quinta-feira (19) que o governo do presidente Jair Bolsonaro (PSL) não tem base para conseguir aprovar a privatização da Eletrobras.

“Em relação à Eletrobras, especialmente senadores do Norte e do Nordeste, e eu me incluo neles, há o receio de autorizar a privatização da Eletrobras. Se você me perguntar hoje, qual seria a uma empresa com muita dificuldade em ser privatizada, seria a Eletrobras”, afirmou Alcolumbre.

A declaração foi dada durante o evento “E agora, Brasil?”, realizado pelos jornais O Globo e Valor Econômico em Brasília.Logo após a manifestação do presidente do Senado, as ações da estatal chegaram a despencar 4,4%, mas recuperaram parte das perdas. No final da sessão, fecharam em baixa de 1,39%, a R$ 44,72.

O presidente disse ter ouvido resistência à privatização da companhia da maioria dos 48 senadores das duas regiões.

Alcolumbre afirmou que outras estatais, como os Correios, também sofrem objeção, mas, segundo ele, “tem um caminho para fazer a privatização”.

“Tem que ter uma agenda de privatizações. O governo não pode começar pela Eletrobras. Começa pelo que tem mais facilidade para depois chegar no que tem mais dificuldade”, disse o presidente do Senado.

Para ele, a falta de base aliada é uma grande dificuldade para o governo.

“Como o governo não tem uma base sólida para defender as suas pautas, porque não quis construir, o governo tem que entender que o Senado tem o seu tempo próprio. E é isso que vai acontecer diante das privatizações. O Parlamento tem o seu tempo, vamos aguardar o tempo do Parlamento.”

No início do mês, o ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, afirmou que o governo deve enviar ao Congresso ainda este mês o projeto de lei que garante as bases para a privatização da Eletrobras. Segundo ele, o objetivo é aprovar o tema ainda em 2019.

O modelo será semelhante ao proposto no governo Michel Temer, com a venda de ações da companhia no mercado, em um processo chamado de capitalização. A União não acompanhará a oferta e, portanto, terá sua participação diluída.

Pelo plano proposto pelo governo para a emissão de ações, nenhuma empresa ou acionista poderá ter mais de 10% das ações com direito a voto, incluindo a União.

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