Mineração

Bolsonaro diz que Vale ‘abocanhou direito minerário no Brasil’

O presidente Jair Bolsonaro criticou nesta quinta-feira a Vale dizendo que a empresa “abocanhou no governo FHC o direito minerário no Brasil”. Segundo ele, isso foi um “crime que aconteceu”.

Bolsonaro fez a afirmação a um grupo de garimpeiros de Serra Pelada, sul do Pará, que se deslocou a Brasília para pedir uma intervenção federal no velho garimpo dos anos 1980.

“Esse é um país que é roubado há 500 anos. A gente conhece o potencial mineral do Brasil, Roraima, sul do Pará. Eu sei como a Vale do Rio Doce abocanhou no governo FHC o direito mineral no Brasil. Um crime, um crime que aconteceu”, disse Bolsonaro.

Os garimpeiros que se encontraram com o presidente acusam a Vale de estar roubando parte do ouro que está embaixo de terras sobre as quais eles reivindicam direitos. Eles acusam ainda a companhia de exportar esse ouro de maneira clandestina.

“Esta área pertence aos garimpeiros. A companhia Vale do Rio Doce recebeu US$ 70 milhões para sair de lá. Só que ela saiu, mas está bem do lado, fazendo um buraco que se chama ‘Projeto Serra Leste’, está mandando para fora do Brasil falando que é ferro, só que ela está levando é ouro e não está sendo prestado conta”, afirmou o garimpeiro Jonas Andrade, membro da Cooperativa de Mineração dos Garimpeiros de Serra Pelada (Coomigasp), que se reuniu com Bolsonaro.

“A Vale do Rio Doce coloca nos vagões terra, vai para o porto e vai direto para a China”, afirmou Andrade.

O presidente disse que levaria o assunto para o ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, e acionou a Agência Nacional de Mineração (ANM) para encontrar “alternativas”.

“Chamei o ministro das Minas e Energia, Almirante Bento, para participar da rápida reunião nossa, que vai continuar agora com a Agência Nacional de Mineração, para a gente buscar alternativas”, afirmou. “Se tiver alternativas, a gente vai até o final da linha. Eu não vou oferecer milagre para ninguém aqui.”

Bolsonaro disse ter informações “de como nosso minério é doado para os nossos países”. E fez referência a fotografias que lhe foram mostradas pelos garimpeiros com túneis supostamente escavados pela Vale para retirar o ouro de forma ilegal de suas terras.

“Muitas vezes, dizem que, na impureza do que se exporta de algum mineral, só na impureza, que é ouro muitas vezes”, afirmou. “As fotografias que eu vi, mostra aí túneis que entram ônibus duplos, o tanto de ouro que tiraram de vocês aí.”

Ele disse ainda que os garimpeiros “foram felizes” na época do governo João Figueiredo (1979-1985), responsável pela abertura do garimpo de Serra Pelada. Ele prometeu “botar as Forças Armadas” no garimpo se tiver amparo legal.

“Vocês foram felizes no tempo do Figueiredo. A legislação era outra, e eu tenho que cumprir a legislação. Por isso que eu digo para vocês: se tiver amparo legal, eu boto as Forças Armadas lá”, afirmou.

“Não vou prometer o que eu não posso fazer. Denuncio algum contrato, a gente não vai desrespeitar contrato com ninguém. Vamos buscar uma maneira de solucionar isso aí porque não pode continuar como está.”

Após as declarações do presidente, a mineradora emitiu uma nota em que negando operações na área citada pelos garimpeiros.

“A Vale não tem atividades minerárias em Serra Pelada nem qualquer operação de mineração subterrânea no Pará. A empresa cedeu a área de jazida à Coomigasp (Cooperativa de Mineração dos Garimpeiros de Serra Pelada) em março de 2007. A empresa mantém no município de Curionópolis apenas a unidade Serra Leste, de exploração exclusiva de minério de ferro”, afirma o texto.
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