Biocombustíveis

Brasil mira no mercado chinês de etanol, mas é improvável que volumes altos

A indústria brasileira de etanol está buscando conquistar uma fatia do mercado chinês de etanol, já que o país asiático visa uma mistura de 10% de gasolina para melhorar a qualidade do ar, mas é improvável um salto de curto prazo nas exportações, de acordo com pessoas que seguem o exemplo.

A China quer adicionar 10% de etanol a toda a gasolina usada no país até 2020, uma política que poderia aumentar drasticamente o mercado de etanol do país e potencialmente aumentar as importações, uma vez que a capacidade de produção local é muito pequena para atingir a meta.

Os representantes da indústria brasileira de etanol fizeram parte de uma missão comercial organizada pelo governo do estado de São Paulo que visitou a China este mês. A agenda da missão incluiu reuniões com as autoridades chinesas e uma visita à sede do comerciante de commodities COFCO, dono de quatro usinas de etanol no Brasil.

O estado de São Paulo é o maior produtor de etanol do Brasil. O secretário estadual de Agricultura, Gustavo Junqueira, que acompanhou a visita deste mês à China, disse que a abertura do mercado chinês de etanol foi discutida.

Em comunicado, Junqueira acrescentou que achava que as usinas de São Paulo poderiam aumentar drasticamente os negócios, mas não deu mais detalhes.

Felipe Vicchiato, diretor financeiro da Sao Martinho SA, um grande produtor brasileiro de etanol, disse que as autoridades chinesas pareciam levar a sério o plano de 10% de etanol durante as negociações. O presidente do São Martinho, Marcelo Ometto, também fez parte da missão comercial.

Uma fonte da COFCO, no entanto, disse à Reuters que é improvável que a China implemente a mistura nacionalmente no próximo ano.

“A implementação tem sido lenta … O E10 foi feito apenas em algumas regiões por enquanto”, disse a fonte, pedindo para não ser identificado porque não tinha autorização para falar publicamente sobre o assunto.

O governo chinês provavelmente tentaria equilibrar o uso de etanol com a produção local, abstendo-se de pressionar por uma implementação imediata do E10 que necessariamente estimularia as importações, acrescentou a fonte da COFCO.

“Também há pressão das empresas de petróleo, então não acho que isso aconteça”, disse ele, referindo-se à implementação no próximo ano.

O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) estima que a China esteja longe de atingir a meta nacional de E10 no próximo ano. Ele projeta o volume total de mistura de etanol do país para a gasolina em 2020 entre 3% e 3,5%.

Se as importações chinesas saltassem, o Brasil estaria em uma boa posição em relação aos Estados Unidos, o maior produtor mundial de etanol. A China aplicou uma tarifa adicional de 25% às importações de etanol dos EUA este ano como parte da guerra comercial entre as duas maiores economias do mundo.

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