Empregos

Como é a vida de trabalhadores em plataformas petrolíferas no Brasil

Viver isolado da grande civilização pode ser um dos maiores desejos de alguns. A liberdade física e mental de poder estar em paz, comparado das vezes em que está plantado em algum centro urbano, é um grande atrativos para muitos dizerem adeus, pegarem suas malas e ir para os mais variáveis locais. Mas esse não é o caso dos trabalhadores que atuam em plataformas petrolíferas.

Afastados não somente dos grandes centros urbanos, como também do continente, os funcionários de serviço embarcado vivem uma rotina completamente diferente do que as que estamos acostumados. Para começar, sua casa temporária não é tão firme como está no imaginário popular. Quando o mar está agitado, para termos noção, o serviço é suspenso, visto que as ondas podem balançar, e muito, todo o complexo. Isso já seria motivo o suficiente para diferenciar essa rotina de tantas outras. Mas tem muito mais.

Como em tantas empresas espalhadas pelo mundo, nas petrolíferas – no caso na Petrobrás – os uniformes são obrigatórios, mas com algumas diferenciações. Todos os funcionários precisam estar vestindo suas roupas laranjas com um colete sobreposto, isso porque caso ocorra um acidente e profissional caia no mar, o laranja do uniforme contrasta com o azul do mar, facilitando sua localização.

E a próprio isolamento é motivo de desistência. Para trabalhar numa plataforma petrolífera é necessário, antes de tudo, estar preparado psicologicamente. Isso porque, na maioria dos casos, a escala de trabalho e de 14 x 14, ou seja, quatorze dias de descanso e outros quatorze onde o trabalho e sua casa é o mesmo lugar. E isso é: quando a empresa não precisa que o funcionário fique mais tempo, chegando, por vezes, a alcançar um mês embarcado. Sem contar a jornada de trabalho, que é de doze horas e todos os profissionais estão sempre sobre o regime de sobreaviso.

O fato de estar distante da família e amigos desmotiva muitos dos funcionários, pois em períodos tão longos de serviço, o cidadão pode estar perdendo ocasiões importantes, como aniversários, datas festivas, entre outros. Aliás, o celular nunca pode ser utilizado. Por motivos de segurança, eles são vedados em sacos plásticos logo que chegam nas plataformas. Isso acontece porque a estática deles pode causar acidentes gravíssimos, tal como é alertado em postos de gasolina. Com isso se conclui que, mesmo virtualmente, matar as saudades e manter contatos com os familiares é bem complicado.

Mas nem tudo é complicação numa plataforma petrolífera. Para contatar famílias e amigos, as empresas geralmente disponibilizam cabines telefônicas e computadores (numa sala isolada) com internet, que os funcionários podem usufruir em seus tempos de folga.

Outras situações que agradam os embarcados é a variedade de entretenimento disponíveis em seus tempos de folga. Em algumas embarcações da Petrobrás, por exemplo, há salas de conforto, com televisão, cafezinho, jogos, entre outros.

Nas plataformas tecnologicamente mais avançadas, estão disponíveis locais para grupos religiosos rezarem suas preces, uma pequena sala de cinema e, surpreendentemente, uma quadra de futebol. Além de churrascos realizados quase quinzenalmente, um dia antes dos funcionários da plataforma irem embora para outro grupo assumir seus postos.

Falando em comida, a alimentação é bem farta. Com serviço de hotelaria contrato pelas empresas petrolíferas, os profissionais embarcados dispõe do maior conforto possível (para quem está em um espaço menor que um quilômetro quadrado, claro). Durante as refeições sempre estão disponíveis diferentes acompanhamentos, como alguns tipos de carne branca e vermelha, além de massas, saladas e pratos base, como arroz, feijão e macarrão. O serviço de quarto e limpeza também são realizados pela empresa de hotelaria.

Claro que trabalhar embarcado tem suas dificuldades, como descritas acima. Mas também há boas bonificações. Folgas longas, já que a escala é de um dia trabalhado para um descansado, além de um a dois meses de férias. Nessa soma, o funcionário mais tem dias de folga do que de trabalho. O salário também não é nada ruim, com pagamentos chegando ao dobro, no minimo, que a mesma função em terra firme. Além das despesas, que não existem enquanto está embarcado.

Pós e contra estão aí. Agora quem escolhe para que caminho quer servir é apenas você.

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