Economia

Como o mercado brasileiro reagirá à “liberdade” do ex-presidente Lula

Faz meses que não se mexe, mas a resposta veio na sexta-feira de um Partido dos Trabalhadores (PT) escolhido e embalado, na Suprema Corte. Eles votaram de 6 a 5 para alterar uma decisão sobre as penas de prisão que libertaram o ex-presidente e fundador do PT Luiz Inácio Lula da Silva, depois de aproximadamente dois anos de prisão por acusações de corrupção.

O mercado de ações do Brasil caiu até 3,5% nas notícias, mas se recuperou e fechou em 3,39%. O Brasil foi o mercado emergente com pior desempenho graças a essa decisão da Suprema Corte.

O real brasileiro caiu para o nível mais baixo desde 14 de setembro de 2018, atingindo R $ 4,17 ao dólar, antes de se firmar um pouco mais forte, com R $ 4,167.

A venda mostra a suscetibilidade do Brasil ao risco político, agora que Lula está fora da cadeia e agita contra o presidente Jair Bolsonaro e seu chefe anticorrupção Sergio Moro.

Sergio Moro foi o juiz principal responsável por lidar com figuras ex-políticas envolvidas nos escândalos de suborno da Petrobras, conhecidos como investigações sobre lavagem de carros. Moro entregou a Lula sua sentença de prisão, à qual Lula recorreu duas vezes e perdeu.

A decisão do Supremo Tribunal não levou apenas à libertação de Lula, mas também à libertação de seu ex-chefe de gabinete e Che Guevera companheiro José Dirceu. Uma série de traders de nível intermediário e executivos da Petrobras encharcados pelo Car Wash também caminharão.

Espera-se que outros políticos presos por acusações de corrupção não relacionadas sejam libertados nos próximos dias.

Após as negociações no mercado sugerirem que Wall Street não está preocupado com Lula. O fundo negociado em bolsa iShares MSCI Brasil (EWZ) estava sendo negociado em alta na sexta-feira após o fechamento. Se os mercados emergentes ficarem bem na segunda-feira, o Brasil ficará bem. Se o Brasil parece ruim, culpe Lula.

Em meio a buzinas e gritos do novo slogan do PT – “Lula livre!”, Que significa Lula livre em português – sua saída foi recebida por um número igual de protestos no sábado.

Pessoas vestidas com as cores brasileiras de amarelo e verde lotavam a Avenida Paulista para deixar o governo Bolsonaro saber como se sentiam sobre a decisão da Suprema Corte.

Por sua vez, Bolsonaro alertou seus 5,3 milhões de apoiadores (Lula tem cerca de 1,2 milhão) duas vezes no Twitter recentemente para não se envolver com os apoiadores do PT nas ruas ou nas mídias sociais. “Você apenas amplifica a mensagem deles, que é o que eles querem”, alertou.

A libertação de Lula não muda o fato de que ele não pode concorrer ao cargo por pelo menos oito anos. Ele ainda tem mais seis casos relacionados a lavagem de carros contra ele, embora pareça seguro dizer que ele não cumprirá um dia de prisão se perder algum deles.

Wall Street pode estar certo ao ver Lula como um ex-presidente, com pouca capacidade de se manifestar além de sua tradicional base sindical, uma base que viu muitos votarem em Bolsonaro em 2018.

No entanto, ninguém deve duvidar das conexões de Lula nos movimentos ativistas de esquerda da América do Sul, como o Grupo de Puebla, e sua capacidade de agitar contra os governos de direita.

De fato, assim que Lula saiu da prisão, as novas líderes argentinas Cristina Kirchner e Alberto Fernandez estavam informando seus seguidores das boas novas. O mesmo fez o líder venezuelano Nicolas Maduro, que ainda acredita que Hugo Chávez, metamorfoseado em um pequeno pássaro, está sussurrando conselhos em seu ouvido sobre como realizar (ainda!) A fantástica Revolução Bolivar em toda a América Latina.

Por sua parte, Lula disse que estava pronto para continuar com a “luta”, uma ode popular às causas de esquerda.

Se Lula conseguir criar o caos, dois cenários provavelmente serão para os investidores.

  1. Compre Bolsonaro: a base política de Bolsonaro se reúne em torno do presidente. Eles têm sido um pouco fracos nessa frente no ano passado. O centro-direita poderia circular os vagões. O Brasil continua com um neutro a leve excesso de peso, desde que as reformas continuem.
  2. Vender Lula: Lula ganha uma tração surpreendente e consegue levar as pessoas às ruas agitando suas bandeiras vermelhas do PT e do Partido Comunista. As janelas do banco estão quebradas. O mercado de ações do Brasil cai em bons 10.000 pontos, e o real brasileiro chega a R $ 4,25 por dólar em um piscar de olhos.

Imaginando um cenário de pior caso

A libertação de Lula provavelmente aumentará a polarização política no curto prazo, diz Robert Wood, economista principal da América Latina na The Economist Intelligence Unit. “Não acreditamos que isso impactará materialmente o avanço fragmentado da agenda econômica reformista do governo”, diz ele.

O pior cenário parece com o que vimos nas manchetes chilenas, com jovens flagrando coisas e especialistas lamentando a desigualdade como a única explicação para a agitação contra um governo conservador liderado pelo bilionário presidente Sebastian Pinera.

O Chile é o mais rico e igual de todos os países da América Latina. Os protestos acontecem há cerca de um mês.

Tendo dito a seus apoiadores em uma série de tweets que o novo governo estava falhando com eles, Lula sai da prisão apenas para jogar uma chave inglesa na máquina meio quebrada do Brasil. É profundamente irresponsável ele sair e atacar o país assim, mas não totalmente chocante nesses tempos. Não há interesse em curar, apenas prolongando a dor.

Se o Brasil é como os EUA, Lula é, por incrível que pareça, a versão deles de Hillary Clinton, se alguém quiser ver isso através de uma lente americana. Os advogados brasileiros ligados a Lula podem até encontrar denunciantes de repente, ou começar a processar promotores para continuar a tirar dúvidas da legitimidade do escândalo da lavagem de carros. Seria sem precedentes, mas estes são tempos sem precedentes e grande parte da política do Brasil se parece com a era Trump aqui em casa. Bolsonaro enfrentou a versão brasileira da Marcha da Mulher antes mesmo de ser eleito presidente. Seu governo enfrenta uma imprensa política nacional e internacional principalmente hostil: “Globo lixo”é a versão brasileira da “CNN é uma merda”. Ele e seus apoiadores são chamados fascistas, racistas e homofóbicos. Lula está usando chavões como “alt-right” em um discurso do Twitter após o outro para conquistar a imprensa internacional, já contra Bolsonaro.

Vai demorar um pouco até que o pior cenário se desenrole. Só se desenrola se Lula quer que ele se desenrole e ele consegue trazer conflitos civis no estilo chileno para o Brasil. Tal movimento aconteceria no momento em que o país ainda estivesse tentando se livrar da cratera meteórica deixada pelo PT.

Culturalmente, o Brasil não é conhecido por protestos que duram dias. Protestos de um dia ou fim de semana surgiram desde 2015, durante o impeachment da presidente do PT, Dilma Rousseff. Também surgiram nos últimos quatro anos em apoio a Sergio Moro, ou contra a reforma previdenciária, que já passou.A desigualdade caiu nos dois mandatos de Lula por causa do investimento estrangeiro direto no Brasil – liderado por etanol de petróleo e cana – e gastos do governo. O novo governo não está cortando importantes programas de assistência social como o Bolsa Família, que Lula expandiu.

A última vez que o Brasil ficou preso em semanas de protestos perturbadores foi durante os anos da ditadura; anos em que alguns no PT parecem dispostos a reviver – uma última luta romântica, de retorno à juventude, antes de deixarem esse grande mundo ruim.

Por enquanto, Wall Street pode se importar menos com Lula.

O mercado parece bastante convencido de que a centro-direita se unirá a Bolsonaro.

Há também a possibilidade de que o público em geral no Brasil tenha tido o suficiente de Lula e suas palhaçadas. Eles já tiveram o suficiente do PT e de suas ramificações políticas como o Socialismo e o Partido da Liberdade, ou PSOL, um partido super minoritário com apenas nomes e drama da lista A suficientes para mantê-los nas manchetes.

O argumento: procure que qualquer tentativa de trazer o caos ao Brasil seja recebida com apoio virtuoso da imprensa sobre a “crescente desigualdade” – uma desigualdade causada inteiramente pela economia que o PT explodiu – mas o caos será de curta duração.

Se não tem vida curta, é porque a oposição está buscando reações violentas por parte do governo para provar um argumento. Bolsonaro ficará tentado a morder essa isca. Se ele trouxer os tanques, ele alimenta o PT com sua narrativa de Bolsonaro como militante anti-democrata. Isso poderia ser demais para os reformistas de seu gabinete. O favorito de Wall Street, Paulo Guedes, deixaria o gabinete de Bolsonaro nessas circunstâncias, temendo que o governo agora esteja atolado em guerra política, em vez de debates sobre política econômica? Acho que sim. Então, todas as apostas na economia brasileira seriam canceladas e seu mercado, o melhor da América Latina, entraria em colapso.

Voltar ao Topo