Óleo e Gás

Companhia norueguesa Equinor investirá US$ 15 bilhões no País

Petroleira estrangeira que mais aproveitou as vendas de ativos da Petrobras para fortalecer sua presença no Brasil, a norueguesa Equinor (antiga Statoil) pretende começar a investir pesado na sua nova carteira de projetos no país. A expectativa da companhia é assinar este ano um pacote de contratos de bens e serviços, para tirar do papel o seu projeto mais promissor: Carcará, na Bacia de Santos, que promete ser o primeiro campo do pré-sal desenvolvido por uma multinacional e que terá a maior plataforma do Brasil, com capacidade para 220 mil barris/dia de petróleo.

A empresa não revela quanto vai desembolsar em Carcará, mas os investimentos fazem parte do plano de negócios de US$ 15 bilhões da petroleira para o Brasil até 2030. Outra parte dos recursos será direcionada para a instalação de novas plataformas nesse campo petrolífero e na descoberta de gás na área de Pão de Açúcar, além de investimentos na recuperação de ativos operacionais maduros.

Com receitas globais de US$ 78,5 bilhões em 2018, a Equinor considera o Brasil um de seus três mercados prioritários, ao lado da Noruega e Estados Unidos. A comandante da empresa no país, a vice-presidente executiva de desenvolvimento e produção no Brasil, Margareth Øvrum,  porém, que os investimentos, no mercado brasileiro, não vão se limitar ao petróleo. A multinacional quer “assumir papel ativo” na abertura do mercado de gás natural e se consolidar como geradora de energia.

“A oportunidade [no Brasil] é única não só no óleo e gás, mas na área de renováveis também”, disse a executiva da Equinor, que tem planos de aplicar de 15% a 20% de seus investimentos globais anuais em energias renováveis até 2030.

Em 2018, a empresa entrou no mercado brasileiro de energia solar ao adquirir o Complexo Solar Apodi, no Ceará, de 162 megawatts. Margareth vê espaço para que, no futuro, a Equinor construa uma parque gerador que combine solar, eólica offshore (em alto mar) e gás natural. “Não decidimos, mas estamos abertos [a investir em usinas térmicas a gás]”, afirmou.

Enquanto a abertura do mercado de gás dá seus primeiros passos, a Equinor decidiu que todo o gás produzido na primeira fase de produção de Carcará será reinjetado para aumentar a recuperação do óleo. Margareth destaca que está de olho nos desdobramentos da reforma do setor e que busca mercado para seus novos projetos, como a segunda fase de Carcará e Pão de Açúcar, na Bacia de Campos.

“[Desenvolver o mercado de gás] É uma necessidade para nós… [Pão de Açúcar] É completamente dependente do desenvolvimento do mercado”, afirmou.

Dentro dos pilares de seu plano de negócios, a Equinor quer construir cadeia de valor no setor de gás, no Brasil. A executiva disse que, para isso, a companhia pretende fazer a sua parte e está aberta a investir na infraestrutura, como gasodutos marítimos e terminais de gás natural liquefeito (GNL). Ela sabe que o sucesso do crescimento da empresa no país passa pela necessidade de construção desse mercado. “Estamos preparados para assumir um papel ativo na cadeia de valor do gás no Brasil… Estamos abertos para fazer investimentos em infraestrutura.”

No entanto, segundo Margareth, os investimentos da empresa em infraestrutura dependem, primeiro, de um sinal de que haverá demanda para o gás. “Não adianta construir infraestrutura se não houver demanda. Isso depende do PIB daqui para frente”, afirmou.

A Equinor é a quarta maior produtora de óleo e gás do país, com volumes de 95 mil barris diários de óleo equivalente, segundo a Agência Nacional do Petróleo (ANP). Margareth disse que o objetivo da empresa é desenvolver sua atual carteira de ativos e até quintuplicar sua produção no país até 2030.

Recentemente, os investimentos da Equinor entraram no olho do furacão da crise diplomática entre o Brasil e países europeus, sobre a política de combate ao desmatamento na Amazônia. O presidente da comissão de Energia e Meio Ambiente do Parlamento da Noruega, Ketil Kjenseth, sugeriu que o governo local deveria pedir que a companhia paralisasse os investimentos, na tentativa de pressionar o governo brasileiro a deter os focos de incêndio na Amazônia. Margareth afirma, contudo, que a Equinor “não se envolve em discussões políticas” e que mantém firme sua estratégia para o Brasil.

Segundo Margareth, a meta é desenvolver uma plataforma a cada dois anos no país. Comprado da Petrobras ainda em 2016, por US$ 2,5 bilhões, Carcará começará a produzir em 2024. A Equinor possui 40% da concessão, ao lado da ExxonMobil e Galp, e espera fechar em dois meses os contratos para encomenda da plataforma e equipamentos e interligações submarinas. Um projeto típico do pré-sal custa, segundo estimativas de mercado, US$ 5,5 bilhões.

A produção atual da petroleira, no Brasil, contudo, vem de outros dois ativos: Peregrino e Roncador, na Bacia de Campos. A fatia de 25% de Roncador custou à companhia US$ 2,1 bilhões. Com experiência na recuperação de campos maduros do Mar do Norte, a norueguesa se comprometeu a entrar com mais US$ 550 milhões, para a revitalização do campo. Margareth disse que a meta é aumentar o fator de recuperação do campo em dez pontos percentuais, para 39%.

Em Peregrino, a companhia está instalando nova plataforma. Prevista para 2020, a segunda fase de produção do campo permitirá à empresa aumentar em 250 milhões de barris os volumes recuperáveis do ativo. A Equinor produziu 180 milhões de barris e espera alongar em 20 anos a vida útil do campo. A norueguesa prevê investir também, em exploração, na perfuração de até cinco poços em três anos, e monitora as novas licitações. Sobre o interesse no leilão dos excedentes da cessão onerosa, Margareth disse que não há dúvidas de que se trata de “grande volume, mas que é preciso valor também”. “Iremos para as áreas que criarem valor para nós”, respondeu ela, sem entrar em detalhes.

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