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Credores aprovam venda de sondas da Sete Brasil

A Sete Brasil avançou com uma etapa importante de seu plano de recuperação judicial, ao obter na semana passada a aprovação de seus credores para a venda de quatro de suas sondas de perfuração para a norueguesa Magni Partners. Segundo uma fonte, a meta é concluir ainda neste ano o negócio, no valor de US$ 296 milhões, mas, para isso, ainda falta o aval da Petrobras. Concluída a operação, a empresa de sondas ainda terá um longo trabalho pela frente, e decidir o que fazer com as embarcações não vendidas, antes de encerrar a sua recuperação. A expectativa é que esse processo ainda leve dois anos.

Procurada, a Petrobras respondeu que as “negociações estão submetidas a compromisso de confidencialidade”. Apurou com duas fontes, no entanto, que, apesar de ter aprovado os termos de um possível acordo com a Sete, em 2018, durante a gestão Pedro Parente, ainda não há, dentro do atual comando da estatal, uma decisão fechada sobre o assunto. Os novos contratos, com a Magni, precisam passar tanto pela diretoria quanto pelo conselho de administração da companhia.

A Petrobras é a única cliente e também sócia da Sete Brasil. Depois de um longo processo de negociação, as duas partes fecharam, em março de 2018, um acordo para que a petroleira contratasse apenas quatro das 28 sondas que seriam originalmente afretadas. Pelo acordo, a estatal contratará as unidades Urca, Frade, Arpoador e Guarapari, construídas no estaleiro Brasfells, em Angra dos Reis (RJ), e no Jurong, em Aracruz (ES), pelo prazo de dez anos, a uma taxa de US$ 299 mil/dia. Em troca, a estatal dispensaria as outras 24 sondas do projeto Sete Brasil e sairia do quadro societário da empresa.

Segundo uma fonte, contudo, o acordo não envolve o fim do litígio entre a Petrobras e a EIG, acionista da Sete Brasil que processa a estatal brasileira, nos Estados Unidos, por fraude e auxílio e cumplicidade de fraude relacionada ao esquema de corrupção investigado pela Lava Jato. Em abril, a Petrobras chegou a provisionar R$ 1,3 bilhão, no balanço do primeiro trimestre, referente à disputa, hoje em arbitragem.

Os US$ 296 milhões levantados pela Sete, junto à Magni, ficaram abaixo dos US$ 554 milhões estipulados no edital e serão usados para abater apenas uma parte da dívida de R$ 18 bilhões da empresa de sondas. Entre os principais credores da companhia estão o Fundo Garantidor da Construção Naval (FGCN), administrado pela Caixa, Banco do Brasil, FI-FGTS, fundo Canvas, Santander e Bradesco. A venda foi aprovada por unanimidade entre os credores.

De acordo com uma fonte, a ideia é acelerar os trabalhos. Para que a operação seja concluída, além do aval da Petrobras, falta a apresentação, pela Magni, dos documentos pendentes (garantia, comprovantes de capacidade de solvência etc). A Magni vai operar as sondas em parceria com a Etesco.

O processo de recuperação judicial da Sete Brasil é conduzido pela 3ª Vara Empresarial do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro. Concluída a venda das quatro sondas para a Magni, o plano de recuperação da empresa, assessorada pela Alvarez & Marsal, segue para uma nova fase, em que a companhia ainda precisará resolver o imbróglio das outras 24 sondas do portfólio da empresa – se as unidades serão liquidadas, se haverá reestruturação societária, se os ativos serão monetizados de alguma forma etc.

 

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