Mineração

Diminuição do uso de carvão, mas importações ainda altas

O carvão tem papel relevante dentro da matriz energética brasileira. Com uma participação constante de cerca de 6% da oferta total de energia primária do país nos últimos 10 anos, o carvão é a 7ª fonte de energia mais explorada da economia brasileira. Contabilizando apenas fontes não renováveis, é historicamente a terceira, atrás do petróleo e do gás natural.

O carvão brasileiro disponível é conhecido como sendo de baixa qualidade, com baixo poder de aquecimento (devido a uma baixa concentração de carbono) e gerando uma alta quantidade de cinzas quando queimado. A totalidade das reservas brasileiras de carvão está localizada na região Sul do país, enquanto o estado do Rio Grande do Sul responde por 90% dos 32,3 bilhões de toneladas de carvão disponíveis para extração. O restante é dividido entre os estados de Santa Catarina e Paraná.

O Brasil enfrenta um alto nível de importações e um déficit comercial de carvão: cerca de 98% do carvão consumido no Brasil vem dos EUA, Austrália, África do Sul e Canadá e representa 81% da dependência externa total do país em energia, dada pela diferença entre a demanda interna de energia e a produção doméstica. A grande maioria da demanda total por carvão, 85%, vem de usinas termelétricas e geração de energia. Em segundo lugar vem a indústria cimenteira, com 6%, seguida de 4% para celulose e papel e os demais 5% devido à secagem de cerâmica, alimentos e grãos.

O Brasil usa o carvão como fonte de energia desde o final do século XIX. De acordo com a publicação do Boletim Energético Nacional, do Ministério de Minas e Energia, que apresenta dados sobre a matriz energética brasileira desde 1970, o carvão vem apresentando uma intensificação de seu uso como fonte de energia no período de 1980. Até meados dos anos 1990, quando atingiu um nível de mais de 7,5% do total de energia. Desde então, seu uso vem diminuindo, principalmente devido a dois fatores: (1) necessidade de importar e o risco de preço que ele traz e (2) desenvolvimento e intensificação de fontes renováveis ​​mais baratas, como hidreletricidade, biocombustíveis e energia eólica. De 2017 a 2016, sua demanda diminuiu 4,4%.

No entanto, o carvão ainda tem um papel relevante a desempenhar na economia local dos estados do sul do Brasil. Em 2017, a receita do setor atingiu mais de R $ 1 bilhão e gerou mais de 5.500 empregos diretos. Entidades de classe como a Associação Brasileira de Carvão Mineral (ABCM) têm feito lobby por políticas governamentais de melhoria do carvão, visando aumentar a participação do carvão no mix energético nacional e facilitando a obtenção de licenças ambientais. Essas entidades afirmam que a cadeia de fornecimento de carvão tem um componente de alto valor econômico e o aumento da extração local pode reduzir o risco de negociar a commodity nos mercados globais e seus custos de transporte.

Parece que as razões para usar carvão estão diminuindo no Brasil. O Brasil oferece carvão de baixa qualidade para o qual o rendimento econômico não é suficiente para cobrir seus custos e riscos. Além disso, o país está desenvolvendo fontes renováveis ​​de energia e está se tornando líder na produção de energia renovável (especialmente biocombustível). Embora o governo ainda não tenha mostrado se é a favor ou contra o carvão, é possível inferir que o carvão, como fonte de energia em larga escala, está enfrentando seus anos de crepúsculo no Brasil.

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