Mercado

Economia brasileira registra crescimento no segundo trimestre de 2019

Economia brasileira registra crescimento no segundo trimestre de 2019

A economia do Brasil se recuperou fortemente no segundo trimestre depois de ter encolhido no primeiro, mostraram números oficiais divulgados na quinta-feira, indicando que a maior economia da América Latina evitou confortavelmente voltar à recessão.

O crescimento de 0,4% no período de abril a junho será um alívio para o governo do presidente Jair Bolsonaro, que foi em grande parte eleito para reviver uma economia que estava lutando para emergir totalmente da devastadora recessão de 2015-16.

Mas os economistas não estavam convencidos de que os fatores por trás do desempenho surpreendentemente forte no segundo trimestre – crescimento sólido do investimento fixo, construção e produção industrial – serão repetidos no restante de 2019.

O produto interno bruto (PIB) crescerá 0,6% neste ano em relação ao ano passado, supondo que o crescimento permaneça estável no nível do segundo trimestre pelo restante do ano, segundo estimativas do Ministério da Economia em uma apresentação divulgada na quinta-feira.

Isso seria significativamente abaixo do ritmo de 1,1% registrado em cada um dos últimos dois anos, embora as estimativas oficiais do governo e do banco central ainda estejam para uma expansão anual de 0,8%.

“O aumento surpreendentemente forte do PIB brasileiro no segundo trimestre confirma que a atividade extremamente fraca registrada no início deste ano foi um pontinho e não o início de uma desaceleração renovada”, disse William Jackson, economista latino-americano da Capital Economics.

“Mas a economia ainda está fraca e o Copom ainda deve reduzir as taxas de juros em mais 50 pontos-base quando se reunir no próximo mês”, disse ele, referindo-se ao comitê de fixação de taxas do banco central.

O PIB do Brasil cresceu 0,4%, ajustado sazonalmente, no segundo trimestre, informou a agência de estatísticas IBGE nesta quinta-feira, o dobro da estimativa média de 0,2% em uma pesquisa da Reuters com economistas.

Um salto de 3,2% no investimento fixo e um aumento de 0,7% na produção industrial ajudaram a impulsionar a expansão, enquanto o setor de serviços cresceu 0,3%, disse o IBGE. A produção agrícola diminuiu 0,4%, no entanto.

Segundo Jackson, da Capital Economics, essa foi a terceira melhor taxa de crescimento trimestral em investimentos fixos da década.

Comparado ao mesmo período do ano passado, o PIB do Brasil cresceu 1,0%, mais rápido do que os 0,7% previstos em uma pesquisa da Reuters com economistas. A economia também foi 1,0% maior no acumulado de 12 meses.

Na produção industrial, que até agora era uma das partes mais fracas da economia, a atividade manufatureira cresceu 2,0% no trimestre e a construção civil cresceu 1,9%, informou o IBGE.

Alguns economistas temiam que o Brasil voltasse à recessão, depois que a economia encolheu 0,2% no período de janeiro a março, a primeira contração desde 2016. Mas um canto pode ter sido virado.

“Esperamos que o PIB real cresça um modesto abaixo da tendência de 1,0% em 2019”, disse Alberto Ramos, chefe de pesquisa latino-americana da Goldman Sachs. “Espera-se que a atividade real seja apoiada por um impulso de crédito mais firme, condições monetárias e financeiras acomodatícias e melhoria gradual do mercado de trabalho”.

Voltar ao Topo