Energia

EDP aumenta investimento em capital de risco no Brasil

Com pouco mais de um ano de atuação, a EDP Ventures Brasil, braço de investimento de capital de risco do grupo EDP, concluiu seu terceiro investimento no país, o segundo em parceria com a gestora de recursos Inseed. Desta vez, quem recebeu o aporte foi a Fractal Engenharia e Sistemas, que desenvolve soluções para previsão de eventos hidrológicos e sistemas capazes de auxiliar o gerenciamento de barragens. Com o negócio, a companhia se posiciona como uma das primeiras elétricas a ter no Brasil um veículo específico voltado para inovação por meio de recursos próprios, sem depender de verbas regulatórias.

“Não investimos só em empresas de energia, mas em qualquer solução que gere impacto na nossa cadeia de valor, pensando como uma empresa integrada”, disse Livia Brando, gestora executiva de estratégia, inovação e ventures da EDP no Brasil. A catarinense Fractal apareceu como uma opção por já ser uma prestadora de serviços para a própria EDP. Com o aporte de R$ 4,5 milhões, a empresa passa a atuar como uma consultoria no desenvolvimento de uma plataforma integrada com mais soluções e ganha escala no mercado.

O investimento, embora pequeno quando comparado ao porte da EDP, é importante por se tratar de um setor no qual a companhia pretende ter “as melhores práticas de mercado”, que é a gestão de barragens. O algorítimo desenvolvido pela Fractal permite avaliar meteorologia, modelagem e estatísticas de chuvas, a fim de antecipar como elas vão se materializar nas barragens. “Isso ajuda não só na operação das usinas e em nossa relação com o ONS [Operador Nacional do Sistema Elétrico], mas também na questão de gerenciamento do risco hidrológico e das comunidades onde atuamos”, disse Livia.

“O software é ‘instalável’ em qualquer geografia, já estamos vendo como levar um projeto piloto para a EDP em Portugal, já que lá também tem geração hídrica, como no Brasil”, disse Livia.

Com a entrada dos recursos, a Fractal vai investir na assertividade de suas projeções, a fim de que fiquem mais corretas e assimilem mais dados, disse Henrique Lucini Rocha, presidente da companhia.

Segundo Rosário Cannata, gestora de investimentos da EDP Ventures no Brasil, a companhia enxerga muito espaço para agregar valor em startups, mesmo fora do setor de energia. Há, por exemplo, interesse de investir em fintechs que possam trazer soluções para o faturamento das contas de seus milhões de clientes em distribuição de energia no país.

A parceria com a Inseed é bem vista pela EDP. Enquanto a companhia, como veículo de corporate venture capital, contribui com capacidade de gestão e governança, a gestora tem maior capacidade de relacionamento com investidores, principalmente estrangeiros. “Queremos olhar investimentos com startups e sempre que possível co-investir com veículos de venture capital tradicionais. Achamos que isso traz muito valor”, disse Rosário.

“A EDP Ventures é uma das primeiras a fazer corporate venture capital no Brasil, algo que já é bem desenvolvido fora daqui”, disse Gustavo Junqueira, presidente da Inseed. Segundo ele, a elétrica agrega grande conhecimento técnico e mercadológico nos investimentos feitos.

No total, a EDP Ventures tem um orçamento de R$ 30 milhões para investir no Brasil, montante que deve se esgotar em dois ou três anos, “até termos um portfólio robusto de empresas”, disse Livia. Segundo Rosário, a companhia não tem “ansiedade” para levantar mais fundos. “Só temos um bolso para pedir dinheiro”, disse ele, se referindo ao grupo EDP.

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