Energia

Eletronuclear negocia R$ 1 bi de empréstimo com banco dos EUA

Braço da Eletrobras de geração de energia nuclear, a Eletronuclear negocia a contratação de um financiamento no valor de R$ 1 bilhão com o US Eximbank, a agência de crédito à exportação do governo dos Estados Unidos. Os recursos serão destinados ao investimento na extensão da vida útil da usina nuclear de Angra 1, de 40 para 60 anos, que utiliza equipamentos fornecidos pela americana Westinghouse.

“As tratativas estão avançadas”, afirmou o presidente da Eletronuclear, Leonam Guimarães. Segundo ele, um financiamento inicial, da ordem de 5% do valor total, deverá ser assinado ainda neste ano.

Na última semana, a Eletronuclear apresentou formalmente à Comissão Nacional de Energia Nuclear (Cnen) o pedido de renovação da licença operacional da usina por um período de 20 anos. A primeira usina nuclear brasileira entrou em operação em 1985 e tem autorização para funcionar até 2024.

Segundo Guimarães, pela regulação, a Eletronuclear poderia fazer o pedido de extensão da licença de operação cinco anos antes do vencimento. Caso a CNEN dê o aval, a termelétrica terá licença para operar até 2044.

O presidente da Eletronuclear lembrou que a usina terá um custo relativamente baixo a partir de 2025 e contribuirá com 640 megawatts (MW) de capacidade para o sistema. A renovação da licença, se aprovada, ocorrerá justamente no período em que o governo brasileiro planeja substituir um parque gerador a óleo combustível, mais caro e poluente, previsto para ser descontratado entre 2023 e 2025.

Nessa linha, a medida poderá contribuir para a agenda de desoneração tarifária iniciada pelo governo Michel Temer e mantida por Jair Bolsonaro, junto com a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).

Até 2012, a energia de Angra 1 era contratada por Furnas. Depois dessa data, a energia da usina passou a ser comercializada por meio de cotas contabilizadas pela Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) e rateadas por todas as distribuidoras de energia do país. Segundo Guimarães, o valor da cota atualmente é de R$ 230 por megawatt-hora (MWh).

De acordo com a Eletronuclear, os Estados Unidos já realizaram extensão do prazo de operação de mais de 70 usinas nucleares. Na maioria dos casos, a vida útil delas passou de 40 para 60 anos. Naquele país, também já foram iniciados estudos que podem estender a operação das usinas para até 80 anos.

Em paralelo aos planos de extensão da vida útil de Angra 1, a companhia segue aguardando da definição do governo pelo modelo de parceria internacional para a conclusão da usina nuclear de Angra 3. Após a definição do modelo, o governo deverá fazer um processo de seleção para a escolha do parceiro. A ideia é que o novo sócio aporte os recursos necessários para a conclusão da construção da usina, de cerca de R$ 15,5 bilhões.

O empreendimento, que está 64% concluído, teve as obras suspensas em setembro de 2015 por falta de pagamento a fornecedores e desdobramentos da força tarefa da Lava-Jato. Com 1.405 MW de capacidade, a usina está prevista para entrar em operação em janeiro de 2026.

Hoje, a Eletronuclear gasta cerca de R$ 2,5 milhões por mês com manutenção dos equipamentos da obra e cerca de R$ 55 milhões mensais em juros da dívida da construção da usina com BNDES e Caixa Econômica Federal.

Voltar ao Topo