Energia

Emissões de carbono estáveis ​​como uso de energia limpa compensam o desmatamento

 As emissões de carbono do Brasil permaneceram estáveis, apesar do aumento do desmatamento, porque foram compensadas pelo maior uso de fontes de energia limpa, como etanol e energia eólica, informou um relatório na terça-feira.

As emissões brasileiras de gases responsáveis ​​pelo aquecimento global atingiram 1,939 bilhão de toneladas de equivalente dióxido de carbono (CO2e) em 2018, 0,3% a mais do que em 2017, segundo a SEEG, o estudo mais abrangente sobre o tema no país.

As emissões do setor de energia caíram 5% no ano passado, em comparação com o ano anterior, para 407 milhões de toneladas de CO2e, uma vez que a energia renovável continua aumentando sua participação no mix de energia.

Por outro lado, as emissões provenientes da destruição de florestas aumentaram 3,6% para 845 milhões de toneladas de CO2e, levando essa fonte a aumentar sua participação no total de emissões brasileiras para 44%, mais do que a participação combinada dos setores industrial e de energia.

A contribuição de energia limpa, no entanto, é improvável que evite um aumento maior de dióxido de carbono em 2019, pois o desmatamento aumentou drasticamente este ano para o nível mais alto em uma década.

E, embora as emissões tenham sido estáveis, não há compensação pelas perdas para a vida selvagem, pois centenas de espécies são extintas com o incêndio dos fogos.

Os dados colocam o Brasil como o número 7 no ranking dos maiores emissores mundiais de gases captadores de calor, liderados pela China, seguida pelos Estados Unidos e pela União Européia.

“O Brasil deve estar em uma posição muito melhor. Sua matriz energética está ficando ainda mais limpa do que estava. Se parasse o desmatamento, suas emissões seriam um terço disso”, disse Tasso Azevedo, coordenador do estudo.

“Haverá um aumento significativo”, disse Ane Alencar, diretor de ciências do Ipam, organização que colabora com dados sobre mudanças no uso da terra para o estudo da SEEG.

O desmatamento leva a algumas descobertas curiosas. Improvável em outros países onde os estados com maior concentração de indústrias lideram o número de emissões, no Brasil esse ranking é liderado pelos estados do Pará e Mato Grosso, por exemplo, países parcialmente localizados na Amazônia, com o estado industrializado de São Paulo em quarto lugar distante.

A atividade pecuária contribuiu para o aumento do número de emissões desses estados, além do desmatamento.

“Há uma grande diferença na origem das emissões no Brasil quando comparada à maioria dos países”, disse Ricardo Abramovay, economista da Universidade de São Paulo.

“Enquanto em países como Estados Unidos e Japão uma mudança para uma sociedade com menos emissões exigirá grandes investimentos para modificar modelos de produção e hábitos de consumo, no Brasil, precisamos apenas cortar o desmatamento, um investimento muito pequeno”, afirmou.

Voltar ao Topo