Mineração

Empresa chinesa de mineração planeja mega projeto de minério de ferro no Brasil

A Sul Americana de Metais (SAM), uma unidade da mineradora chinesa Honbridge Holdings, assinou um protocolo de intenções com o estado brasileiro de Minas Gerais para construir um complexo de mineração de 2,2 bilhões de dólares e um oleoduto.

“Vamos desenvolver um mega projeto de minério de ferro com uma mina a céu aberto e uma planta de beneficiamento com capacidade de produção anual de 27,5 milhões de toneladas / ano (classificação média: Fe 66% +) no estado de Minas Gerais no Brasil “, disse Alvin Yeung, CFO da Honbridge Holdings, à CGTN Digital por email.

O CFO também admitiu que a empresa fará o possível para “avançar no projeto de minério de ferro nos próximos meses”.

O relatório inicial sobre o protocolo foi feito pelo jornal brasileiro O Estado de São Paulo, que revelou que o projeto chamado “Bloco 8” inclui um oleoduto de 480 km de polpa. Esse oleoduto começa na cidade mineira de Grão Mogol, em Minas Gerais, passando por 21 municípios até chegar a Ilhéus, na região costeira do sul da Bahia.

O projeto inclui uma das maiores barragens de rejeito do Brasil, com uma capacidade de 845 milhões de metros quadrados. Essa capacidade da barragem é 70 vezes maior que a barragem de rejeitos que desabou na cidade de Brumadinho (12 milhões de metros cúbicos) em janeiro. A onda de lama causada pelo colapso matou 249 pessoas. Em 2015, outra barragem em Mariana teve o mesmo destino e 55 milhões de metros cúbicos de rejeitos foram liberados.

Os rejeitos são os resíduos lamacentos produzidos na mineração de minério de ferro e outros minerais. Os resíduos geralmente estão contidos em uma barragem construída usando uma variedade de métodos.

Várias associações, incluindo o Movimento de Pessoas Afetadas por Barragens (MAB), foram céticas em relação ao projeto, mas o SAM insiste que o modelo é seguro.

Barragem usa sistema para evitar ondas de lama em caso de colapso

De acordo com o site oficial do SAM, a Honbridge Holding foi a que decidiu reestruturar o modelo de negócios do SAM em 2017, e com isso veio uma atualização no projeto “Bloco 8”, uma vez que o plano inicial foi rejeitado em 2016. A atualização se concentra na redução do impacto ambiental e aumento da segurança operacional. 

Gizelle Andrade, diretora ambiental do SAM, garantiu que o projeto foi reestruturado e seguro. O novo projeto não utilizará o projeto a montante aplicado nas duas barragens desmoronadas, mas um novo método que inclui um sistema de filtro capaz de evitar infiltrações na estrutura da barragem.

Em caso de colapso, haverá um sistema de aterro que impedirá que os rejeitos cheguem e prejudiquem as comunidades, disse Germano Vieira, Secretário de Meio Ambiente de Minas, no mesmo estabelecimento brasileiro.

Além disso, a empresa deve respeitar a “Lei do Mar de Lama”, que proíbe a construção de residências ou estruturas em uma linha de 10 quilômetros de uma eventual onda de lama.

O projeto está em processo de pré-licenciamento, que inclui a análise de viabilidade ambiental. Esta fase está programada para terminar em fevereiro de 2020.

O licenciamento da mineração será tratado pela autoridade ambiental de Minas e o oleoduto, por atravessar vários estados, será tratado pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis.

O oleoduto de chorume será construído e operado por uma empresa independente do SAM, diz a empresa.

O governo brasileiro vê apenas benefícios, tendo declarado que o projeto gerará 1.200 empregos diretos e quatro bilhões de reais (cerca de 972 milhões de dólares) por ano apenas na mina. Também existem royalties a serem pagos.

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