Óleo e Gás

Enauta planeja volta ao pré-sal e busca oportunidade em dois certames

Em meio à forte presença das grandes multinacionais nos próximos leilões de óleo e gás, uma petroleira, em especial, chama a atenção: a Enauta (antiga Queiroz Galvão Exploração e Produção) é a única empresa brasileira inscrita na 16ª Rodada de concessões, marcada para 10 de outubro, além da Petrobras. Petroleira privada de capital nacional mais ativa nas rodadas de 2017 e 2018 e a única a adquirir blocos exploratórios em alto mar, a companhia busca, agora, oportunidades no pré-sal.

A empresa já chegou a atuar na região, como sócia minoritária da Petrobras na descoberta de Carcará, na Bacia de Santos, mas vendeu sua fatia de 10% no ativo para a norueguesa Equinor, em 2017, por US$ 379 milhões. O presidente da Enauta, Lincoln Guardado, disse, contudo, que a companhia tem o interesse em comprar ao menos uma área do pré-sal. Para isso, segundo ele, a empresa se inscreveu tanto para a 16ª Rodada de concessões, quanto na 6ª Rodada de partilha, marcada para 7 de novembro.

O executivo destacou que o investimento se dará “dentro dos limites” da companhia, tanto na capacidade de fazer frente aos bônus de assinatura de aquisição quanto aos compromissos de investimentos futuros. A petroleira tem hoje, em seu caixa, cerca de R$ 1,5 bilhão.

“O pré-sal é algo que mantemos no nosso radar, dentro das nossas possibilidades, sem dúvida nenhuma. Gostaríamos de um dia voltarmos a ter um bloco exploratório e, a depender do que ocorrer daqui para frente, até mesmo ter mais de um bloco”, afirmou.

Com receita da ordem de R$ 800 milhões em 2018, a Enauta é, hoje, uma das dez maiores produtoras de petróleo do país, com produção média de 11 mil barris diários de óleo equivalente (BOE/dia). O volume é relativo aos 50% de participação da companhia no campo de petróleo de Atlanta, no pós-sal da Bacia de Santos, e de 45% no campo de gás natural de Manati, em Camamu-Almada.

Após o fim do império de Eike Batista e da OGX (hoje rebatizada de Dommo Energia), a Enauta despontou como principal petroleira privada do país, ao lado da PetroRio (ex-HRT). As duas companhias, ambas listadas em bolsa, no entanto, têm perfis diferentes. Enquanto a PetroRio se concentrou na operação de campos maduros, a Enauta desenvolveu o campo de Atlanta, do zero, e aposta na atividade de exploração, na busca de novas descobertas.

Guardado afirma que a intenção da empresa é conseguir uma área no pré-sal “se não agora, no futuro”. Segundo ele, a disposição da empresa, nos próximos leilões, considerará os compromissos de investimento já assumidos com Atlanta. O campo produz cerca de 28 mil barris/dia, por meio de um sistema antecipado, mas deve entrar numa fase definitiva, de maior capacidade, de 50 mil, em 2022. Para o ano que vem, a previsão da companhia é investir, ao todo, US$ 90 milhões no projeto.

O executivo destaca, por outro lado, que o aumento da produção de Atlanta reforçará o caixa da empresa. “Isso vai ajudar nosso fluxo de caixa e a tomarmos uma decisão sobre participação em pré-sal daqui para frente”, disse Guardado.

Além de buscar oportunidades nos próximos leilões da ANP, ele afirmou que a empresa também tem o interesse de, no futuro, perfurar no horizonte do pré-sal dentro do próprio campo de Atlanta. Segundo Guardado, no entanto, o investimento só será feito depois da instalação do sistema definitivo do campo, ou seja, a partir de 2023.

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