Energia

ENC Energy eleva aposta em geração a partir do biogás

A ENC Energy, empresa especializada na geração de energia a partir do biogás de aterros sanitários, conclui neste mês a inauguração de oito usinas de geração distribuída, que somam 9 megawatts (MW) de potência. A aposta em novos empreendimentos é grande: a companhia pretende construir mais 30 MW em projetos semelhantes até o fim do próximo ano.

“Temos um portfólio em torno de 100 MW que estamos conversando e estruturando. Desses, temos cerca de 30 MW em negociações avançadas”, disse Roberto Nakagome, presidente da companhia no país. O plano de expansão recebeu o aval do conselho de administração na quarta-feira da semana passada.

A companhia já entregou neste ano uma usina em Rosário (MA), duas em Ipatinga (MG) e uma em Campos dos Goytacazes (RJ). Neste mês, serão entregues outras quatro usinas no aterro de Igarassu (PE). Todos os empreendimentos estão enquadrados como geração distribuída, e envolveram cerca de R$ 50 milhões em investimentos.

A ENC Energy foi fundada em 2000 em Portugal e teve seu braço brasileiro criado em 2012. Os investimentos no país ganharam força no último ano, quando a GEF Capital aportou recursos na companhia, ao mesmo tempo em que o mercado para geração distribuída começou a crescer, viabilizando seu modelo de negócios. Além dos projetos em construção, a ENC tem no Brasil uma usina de 4,3 MW, em Juiz de Fora (MG), cuja energia está sendo destinada ao mercado livre, e faz a operação de usinas de terceiros, que neste caso somam 18,5 MW.

No Brasil, a companhia portuguesa tem 50% de participação. O restante está nas mãos da GEF Capital, gestora de private equity que faz investimentos com impacto sustentável. Em março do ano passado, a gestora aportou US$ 10 milhões no braço brasileiro do negócio, recursos que foram usados nas usinas hoje em construção ou recentemente finalizadas.

O modelo de negócios envolve a instalação de usinas que transformam em energia elétrica o biogás gerado nos aterros sanitários. Nas usinas enquadradas em geração distribuída, essa energia é injetada na rede e transformada em desconto na conta de luz de consumidores clientes da ENC Energy. O funcionamento dos projetos é semelhante aos de geração de energia solar, com o diferencial da geração ser estável, e não intermitente. Segundo Alexandre Alvim, sócio da GEF, isso faz com que o fator de capacidade das usinas seja próximo de 90%.

Além dos aterros sanitários, a ENC Energy enxerga a possibilidade de instalação dos geradores de energia em outras instalações, como redes de tratamento de esgoto, por exemplo. Resíduos industriais e agropecuários também são potenciais geradores de energia com a implementação da tecnologia da companhia.

Os executivos da ENC reclamam, contudo, da falta de isonomia entre as fontes. A energia solar conta com incentivos e subsídios que a tornam mais competitiva, disse Jorge Matos, presidente da ENC Energy em Portugal. “Há Estados que não isentam impostos para geração distribuída a biogás, só solar”, disse o executivo.

Além disso, as máquinas são todas importadas da Áustria e da Alemanha, uma vez que a tecnologia usada pela companhia não é fabricada no Brasil, o que encarece o custo dos projetos. Segundo Matos, muitos Estados oferecem incentivos para importação de equipamentos de energia solar, mas não dão as mesmas condições nesse caso.

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