Energia

Enel planeja aumentar em 80% seu parque gerador renovável no país

Após protagonizar os dois maiores negócios no setor de distribuição de energia brasileiro nos últimos três anos (as compras da goiana Celg, em 2016, e da paulista Eletropaulo, no ano passado) a elétrica italiana Enel deve ampliar em 80% seu parque gerador de energia renovável no país nos próximos anos. A empresa, que já possui 2,4 gigawatts (GW) de usinas do tipo em operação no Brasil, está investindo na construção de parques eólicos e solares em um total de 1,9 GW.

Os projetos fazem parte do ousado plano estratégico do grupo para o Brasil, no qual estão previstos investimentos de R$ 17 bilhões nos próximos três anos. Desse total, R$ 10 bilhões serão destinados às atividades de distribuição da companhia, com destaque para a Eletropaulo, hoje “Enel Distribuição São Paulo”, em que a elétrica adquiriu o controle em meados de 2018, após uma acirrada disputa com o grupo espanhol Iberdrola.

A aquisição da maior distribuidora de energia do país também colocou a Enel na posição de maior grupo do segmento no Brasil, com um total de 17 milhões de clientes e ativos nos Estados do Rio de Janeiro, São Paulo, Goiás e Ceará.

O negócio também fez surgir no mercado rumores de que o grupo italiano poderia mudar sua sede no país, de Niterói, na região metropolitana do Rio, para a capital paulista.

A companhia, no entanto, pôs fim às especulações nesse sentido e bateu o martelo sobre seu novo endereço no país. O comando da elétrica vai atravessar a Baía de Guanabara e passará a funcionar na zona portuária do Rio de Janeiro.

A empresa assinou ontem contrato de aluguel com a Tishman Speyer para se instalar no edifício “AQWA Corporate”. O valor do contrato, porém, não foi informado. Cerca de 1,3 mil funcionários próprios e terceirizados da elétrica ocuparão quatro dos 21 andares do edifício. A expectativa é que a companhia passe a operar no local a partir de março de 2021.

“Nos últimos anos a companhia cresceu muito com a aquisição da distribuidora de Goiás e da distribuidora de São Paulo. Tentamos ver onde iríamos encontrar um prédio com características para desenvolver esse projeto e ao final vamos mudar para o AQWA”, afirmou o presidente da Enel no Brasil, Nicola Cotugno.

No novo endereço funcionarão a Enel Brasil, a Enel Green Power (EGP), braço de geração de energias renováveis do grupo, e a Enel X, empresa de soluções em energia da Enel. O escritório da Enel Distribuição Rio (antiga Ampla Energia), no entanto, permanecerá do outro lado da baía. A distribuidora atende clientes em Niterói, São Gonçalo e municípios da Baixada Fluminense e do interior do Estado do Rio.

Admitindo que o grupo chegou a estudar a alternativa de se mudar para São Paulo, Cotugno disse que o posicionamento no Rio é estratégico, lembrando que a cidade abriga os principais escritórios das estatais Eletrobras e Petrobras e do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS).

“Analisamos também essa possibilidade [de mudar para São Paulo]. A verdade é que a indústria elétrica do Brasil está mais posicionada no Rio do que em São Paulo. Isso não significa que não temos um centro de interesse muito grande em São Paulo. Vamos aproveitar um prédio bom que temos em Barueri”, explicou o executivo.

Na nova sede, a meta da Enel é obter a certificação “WELL”, que fornece diretrizes para a criação de condições de bem-estar nos escritórios com foco nas pessoas. O padrão é o primeiro protocolo do gênero que identifica as características do design de interiores para melhorar a salubridade dos espaços de trabalho e o bem-estar das pessoas.

Além da Enel, se mudaram recentemente para a zona portuária do Rio empresas como a Bradesco Seguros e a L’Oreal.

Questionado sobre a possibilidade de a mudança ter considerado também uma potencial aquisição da Light, distribuidora que atende a capital fluminense no futuro, Cotugno, disse que não há um plano nesse sentido.

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