Energia

Gastos com energia elétrica tendem a aumentar

Novo padrão poderá aumentar entre 150% e 170% o consumo pelas redes até 2026.

A 5G não chegou na maior parte do mundo, mas já desperta preocupações quanto a impactos na energia usada por operadoras e centros de dados. O novo padrão poderá aumentar entre 150% e 170% o consumo total de energia elétrica pelas redes até 2026, segundo estudo da fornecedora de tecnologia Vertiv. O aumento é temido por nove de cada dez operadoras globais, mostra estudo da 451 Research.

Rafael Garrido, diretor-geral da Vertiv Brasil, explica que a 5G vai mudar a infraestrutura de telecom, entre outras coisas, por possibilitar a computação de borda, ou edge computing. O modelo prevê processamento de dados mais perto de onde eles são gerados, ou seja, perto do usuário. Para isso, pequenos e médios datacenters serão instalados no país inteiro.

Somada à alta velocidade inerente à 5G, a edge reduz muito a latência, que é o tempo que um sinal de comunicação leva para ir de um ponto a outro. Isso deverá deslanchar aplicações sensíveis a esse parâmetro, como carros autônomos. Por outro lado, significa mais processamento e mais energia gasta. “As teles no Brasil estão atentas e algumas já lançaram soluções de borda projetadas para resolver os desafios que a 5G traz”, diz Garrido.

Na Vivo, o diretor de planejamento de redes, Atila Branco, diz que a tele constatou maior consumo da estação 5G em relação a 4G. A maior banda na frequência de 3,5 GHz e a maior quantidade de equipamentos no site, como edge e antenas ativas, estão entre os motivos da alta. O impacto definitivo, entretanto, dependerá das condições da rede a ser desenvolvida no Brasil.

Branco diz que virtualização e modernização de infraestrutura já renderam economia de energia expressiva. Além disso, 2G e 3G pesam cada vez menos nessa conta. Ele vê o compartilhamento de infraestrutura entre concorrentes como medida importante para reduzir gastos.

Mauro Fukuda, diretor de tecnologias e plataformas da Oi, concorda que há risco potencial de mais gasto com energia. A empresa tem feito análises de consumo para diversos cenários envolvendo 5G e edge, para ter projeções mais precisas. Energia responde hoje por cerca de 7% do custo total da operação.

Fukuda diz que as ações para reduzir custos ocorrem em várias frentes, a começar pelo planejamento da atualização tecnológica. Ele cita, ainda, virtualização de redes, consolidação em único hardware de equipamentos de acesso para 2G, 3G e 4G e 5G e substituição de equipamentos por versões mais econômicas, entre várias outras ações. “Também trabalhamos a matriz da Oi com máxima eficiência de energia entre operações e compras no mercado livre e geração distribuída. Assim, temos controle e previsibilidade de custos eficazes.”

A 5G também vai aumentar a conta do segmento de datacenter, que respondem por 3% e 5% da energia consumida no mundo. Eduardo Carvalho, presidente da Equinix Brasil, diz que custos com armazenamento e processamento de informações têm caído ao longo dos anos, em decorrência da evolução natural do setor. “Isso significa que estamos ficando mais eficientes.”

A estratégia da Equinix inclui redução da dependência de fontes não renováveis. “Investimento em sustentabilidade tem sido fundamental para mitigar o impacto dos custos de energia e minimizar nossa pegada ambiental em longo prazo”. A meta é usar 100% de energia renovável em seus centros em todo o mundo. A empresa também aposta nas células de combustível (que convertem energia química em elétrica). Doze dos centros nos Estados Unidos usam a tecnologia. No Brasil, ele destaca painéis solares para alimentação de escritórios e sistema que aproveita ar gelado do exterior para resfriar os equipamentos.

No UOL Diveo, Rodrigo Lobo, diretor de serviços, diz que mais consumo de energia virá acompanhado da alta velocidade para entrega de dados e do ganho de eficiência trazidos pela 5G. “Uma coisa compensa a outra”. A empresa tem investido em servidores, equipamentos de armazenamento e rede mais eficientes, além de novos sistemas de refrigeração.

 

 

 

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