Gás Natural

GE estima retomada de encomendas no país a partir de 2020

Após dois anos de uma demanda fraca por energia elétrica no Brasil, o nível de contratação de novos projetos deverá melhorar a partir de 2020, avalia Daniel Meniuk, que comanda a operação da GE Power na América Latina.

A empresa, uma das principais fornecedoras de equipamentos para usinas geradoras do país, deverá participar do leilão A-6, marcado para este mês, com mais de um projeto de térmica a gás natural. No entanto, a projeção é que não haverá muita demanda por parte das distribuidoras.

A maior expectativa para a companhia é para o leilão A-4, ainda não confirmado, mas previsto para o início do ano que vem. A ideia é que o certame contrate projetos para substituir usinas a óleo em operação no país. Poderão participar geradores de energia nova e existente – o que deverá estimular uma busca maior por competitividade, afirma Meniuk.

“A expectativa é que, no próximo ano, a coisa continue em uma ascendente. Se neste ano o crescimento vai ser muito pequeno, no próximo pode ser maior. Quando o país cresce 1%, a demanda por energia tende a crescer mais. Essa é nossa expectativa”, disse.

Com a abertura do mercado de gás natural no país, a GE vê uma oportunidade para ampliar os negócios nesse segmento no Brasil, que ainda é considerado pouco maduro – não só em comparação com os Estados Unidos, como também perante mercados latinos, como México e Chile.

“Quanto mais competitivo for o gás natural brasileiro, maior o estímulo às térmicas. A gente viu isso, inclusive nos Estados Unidos, com o boom do ‘shale gas’. No Brasil, acredito que terá impacto semelhante”, afirma.

Hoje, as turbinas produzidas pela GE para usinas a gás são responsáveis por uma geração de 7,3 GW no Brasil, contra 615 GW no mundo. Em relação à tecnologia mais recente da GE nesse segmento, o país respondeu por apenas 3% das vendas globais.

Globalmente, a expectativa da companhia em relação ao segmento de usinas a gás é alto, principalmente pela substituição de outras fontes mais poluentes e pela necessidade de uma energia firme para compensar as intermitências de fontes renováveis. Até 2028, a geração de térmicas a gás deverá crescer 33% em toda a América, projeta a empresa.

A unidade da GE Power em Greenville, nos Estados Unidos – uma das três maiores de todo o país – produz entre 30 a 40 turbinas de gás natural por ano, que vão principalmente para o mercado de Américas da empresa. A unidade tem capacidade de elevar sua produção para até 200 turbinas ao ano se preciso.

No Brasil, o ritmo desse aumento da demanda ainda é incerto, embora o atual governo esteja no caminho certo, na avaliação do executivo. Uma das dificuldades é que a expansão no país ainda depende muito da realização de leilões, já que não há um mercado livre consolidado – ou seja, depende da retomada mais consistente da economia, para a qual a GE não tem projeção. “Ninguém tem bola de cristal, cada dia há uma surpresa, então é difícil prever. Mas vemos que todas as ações do governo tem sido na linha de melhorar as condições e tornar o setor energético mais dinâmico”, diz.

Para além das dificuldades econômicas no país, a GE tem sofrido com questionamentos sobre a segurança de seus equipamentos, após dois acidentes com torres eólicas recentemente – um no fim de julho, em Pernambuco, e outro em setembro, no Maranhão. Nos dois casos, aerogeradores da companhia despencaram. Questionado sobre os episódios, o executivo da GE Power, divisão separada da de energia renovável, diz que as causas para os acidentes estão em apuração.

“Ainda é cedo para dizer”, diz ele. “Não vejo nenhum tipo de desconfiança, na minha área temos feito negócios normalmente e não vejo nenhum efeito direto na confiança que os clientes têm na companhia.”
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