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Governo brasileiro traça meta para reduzir a meta de inflação

Governo brasileiro traça meta para reduzir a meta de inflação

O governo brasileiro está planejando reduzir a meta de inflação que fixa seu banco central para 3,5% em 2022, de 4,25% agora, em uma tentativa de alinhar sua meta com a de outros países emergentes, segundo três autoridades com conhecimento de a matéria.  Membros do ministério da economia e do banco central estão de acordo para reduzir a meta em mais um quarto de ponto na decisão a ser tomada na reunião do conselho monetário do país na próxima semana, disseram as pessoas, que pediram anonimato porque a discussão não é público.

O Brasil atualmente tem como meta a inflação de 4,25% neste ano, 4% em 2020 e 3,75% em 2021. O intervalo de tolerância é de mais ou menos 1,5 pontos percentuais e não há planos para mudar isso, acrescentaram.

Embora a mudança possa forçar o banco central a adotar uma política monetária mais rígida no futuro, no curto prazo é provável que aumente a confiança do investidor no compromisso do governo de controlar os preços, reduzindo as expectativas de inflação de longo prazo. Os preços ao consumidor devem subir 3,84% em 2019, bem abaixo da meta deste ano, de acordo com a última pesquisa do banco central de economistas.

Questionado sobre a mudança para a meta de inflação de 2022, o Ministério da Economia disse que uma decisão será tomada durante a reunião do conselho monetário na próxima semana. O banco central se recusou a comentar.

Pressão dos colegas

Outras nações latino-americanas têm metas de inflação mais rigorosas. Os bancos centrais do Chile, Colômbia e México atingem 3%. Embora as faixas de tolerância sejam mais estreitas em outros países, os formuladores de políticas brasileiros se opõem a esse movimento a fim de amortecer o impacto de possíveis choques inflacionários, disseram as pessoas.

O Brasil está aproveitando o processo de desinflação associado a uma profunda recessão que terminou em 2017 para reduzir a meta que ficou em 4,5% por mais de uma década, durante os governos dos esquerdistas Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff. Durante a administração do ex-presidente Michel Temer, o conselho monetário mudou sua abordagem da meta de inflação para reforçar sua credibilidade junto aos mercados financeiros. A partir de 2017, estabeleceu a meta para três anos de antecedência e, para o período a partir de 2019, reduziu a meta em 0,25 ponto percentual para cada ano subsequente.

O Brasil precisa reduzir gradualmente sua taxa de inflação para níveis vistos em “países decentes”, disse o ex-diretor do banco central, Luiz Fernando Figueiredo, em uma entrevista na semana passada. Ele prevê que os aumentos dos preços ao consumidor permanecerão abaixo da meta no próximo ano, permitindo que o banco central reduza as taxas de juros.

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