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Há uma «bomba Lehman» à deriva no mar

Nesta quinta-feira assinala-se o oitavo aniversário do colapso do banco Lehman Brothers, cuja falência é lembrada como o marco que iniciou a crise financeira global dos últimos anos. Nestas duas últimas semanas, o caso de uma empresa sul-coreana que agoniza num processo de insolvência já é visto como a ‘bomba Lehman’ do setor marítimo.

Trata-se da Hanjin Shipping, o sétimo maior operador mundial no transporte marítimo de contentores (e navios petrolíferos). A companhia não conseguiu renegociar a sua dívida junto de credores e há duas semanas que é o foco das atenções nos setores do shipping e do comércio internacional.

Com uma frota de mais de 90 navios, alguns já em processo de arresto por autoridades de portos internacionais (a BBC noticiou um caso em Singapura, depois da imprensa especializada ter dado conta de outros 10 barcos retidos na mesma situação na China), e cerca de meio milhão de contentores em trânsito no mar, a empresa entrou em insolvência no final de agosto.

Entretanto, colocada sob protecção de credores pela justiça dos EUA e pelas autoridades de Seul, a companhia já beneficiou de injeções de algum capital por parte dos principais acionistas (como a Korean Air e mesmo o estado sul-coreano), e obteve já na quarta-feira (ontem), por parte de um tribunal local, a prorrogação do prazo de que dispunha (de novembro, para dezembro) para apresentar um plano de recuperação fiável.

A ideia de que o processo da Hanjin pode ser considerado como a«bomba Lehman [Brothers]» no setor do transporte marítimo foi lançada há dias, por Gerry Wang, CEO da Seaspan, um importante locador de navios porta-contentores, sediado em Hong Kong, citado pela agência Bloomberg.

A dívida da Hanjin ascende a cerca de 4,8 mil milhões de euros. Nestas duas últimas semanas, a empresa tem tido navios que deixaram de poder descarregar em mais de 20 portos internacionais e algumas empresas com mercadoria embarcada nesses barcos (caso da Samsung) arriscam fracassar comercialmente (por falta de produtos) nas vendas do ‘Black Friday’ norte-americano e na campanha de natal de mercados de consumo importantes como o dos EUA.

O caso desta empresa – que em Portugal é representada por, pelo menos, dois agentes transitários – está a fazer soar o alarme num setor que se tem debatido com o declínio continuado nos preços dos fretes. Fontes que consultaram responsáveis de operadores globais como a Hapag-Lloyd e a Maersk Line referem que a falência da Hanjin já proporcionou alguma recuperação nos preços e afirmam que o ‘afundamento’ da companhia sul-coreana poderia facilitar uma desejável consolidação no shipping.

Entretanto, e caso a Hanjin acabe por naufragar, o interesse de outros operadores  pelos navios da sua frota não evitará que algumas embarcações com uma vida média estimada em mais de 10 anos acabem nos cemitérios de grandes barcos que caraterizam parte da costa do subcontinente indiano.

 

Fonte: Dinheiro Digital

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