Indústria

Indústria 4.0 é chance de reduzir atraso, diz Fiesp

A indústria brasileira vê desafios com a Quarta Revolução Industrial (4.0), mas sobretudo grandes oportunidades para retirar o atraso tecnológico do país, disse o diretor do Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior da Fiesp, Thomaz Zanotto.

A Fiesp organizou uma sessão de debates no Fórum Público anual da Organização Mundial do Comércio (OMC) sobre efeitos da indústria 4.0, que reúne tecnologias como inteligência artificial, robótica e nanotecnologia.

“Uma verdadeira revolução em curso virá, querendo nós ou não, e é uma oportunidade que tem de ser aproveitada pelo Brasil – e a Fiesp está muito engajada nisso”, disse Zanotto à plateia. “Quando tem uma revolução inelutável, a gente ou lidera, ou segue ou sai do caminho. É melhor tentarmos liderar também.”

Questionado sobre uma pesquisa da própria Fiesp que apontou que 32% dos industriais ouvidos disseram nem sequer saber o que é indústria 4.0, Zanotto afirmou que isso “é resultado da recessão brutal que o Brasil passou. Ficou todo mundo olhando para dentro. Agora o setor está acordando, a economia está voltando a crescer e é como o Brasil, na última hora sai correndo atrás”.

Victor do Prado, diretor da Divisão de Conselho Geral da OMC, destacou o impacto da tecnologia digital na cadeia global de valor, com reconfiguração importante também nos intermediários. Ele observou que a Adidas retomou sua produção para a Alemanha, para fabricar não mais em massa, e sim o que o consumidor pede diretamente.

Indagado por representantes de ONGs visivelmente contrários à participação do Brasil nas negociações de regras para comércio eletrônico, o embaixador brasileiro junto à OMC, Alexandre Parola, respondeu que o país quer estar na definição do arcabouço da nova economia. E, em direção de países que só bloqueiam esse tipo de tema, afirmou que “bloquear é a melhor maneira de conservar o status quo” – algo que não interessa ao Brasil.

Voltar ao Topo