Óleo e Gás

Indústria de óleo e gás busca se reinventar para driblar a crise em 2017

indústria de óleo e gás está buscando os melhores caminhos para trilhar em 2017, mas duas indicações são comuns para muitas empresas: reinvenção e inovação. A General Electric, que há décadas investe grandes somas em novas tecnologias, já direciona boa parte de seus esforços para o que considera os novos desafios fundamentais da atividade industrial nos próximos anos, que é a evolução de softwares e do uso da internet em grande escala neste âmbito para reduzir custos e melhorar a produtividade. Nas contas do Presidente e CEO da GE Oil & Gas para América Latina, Rogério Mendonça, os resultados desse trabalho será enorme, com a estimativa de que a internet industrial gere ganhos de US$ 8,6 trilhões para o segmento industrial em 10 anos.

Já o gerente executivo comercial e de marketing da Açotubo, Fernando Del Roy, foca sua atenção no cenário macroeconômico brasileiro, muito abalado pela crise nacional e pelos problemas desvendados pela Operação Lava Jato, mas ressalta que a empresa vem se reinventado nestes últimos anos e acredita que o pior já passou.

Os dois executivos foram ouvidos pelo Petronotícias para mais uma edição da série Perspectivas 2017. Veja seguir as opiniões deles.

Rogerio Mendonça – Presidente e CEO da GE Oil & Gas para América Latina

1 – Como analisa os acontecimentos de 2016 em seu setor?

Estamos passando por um período de transformação, à medida que a indústria de petróleo e gás está em transição para uma nova realidade. Antes, o mercado era impulsionado, principalmente, pela oferta, de modo que todos os esforços se concentravam na produção. Agora, a indústria se concentra na otimização de recursos para se tornar mais eficiente e reduzir custos operacionais alimentados por soluções digitais e pela Internet Industrial. As máquinas deverão incorporar funcionalidades para se comunicarem com softwares de gerenciamento de ativos, a fim de prever a manutenção e evitar o tempo de inatividade. A GE antecipou esta tendência e investiu US$ 1 bilhão na Internet Industrial, além de contar com mais de 14 mil profissionais de software em todo o mundo, trabalhando para otimizar o desempenho e as operações dos ativos industriais. Nós estimamos que a Internet industrial trará ganhos de produtividade de US$ 8,6 trilhões para as empresas industriais nos próximos 10 anos – o que significa duas vezes o valor futuro da internet do consumidor. Esse novo nível de capacidade digital ajudará a indústria de petróleo e gás a enfrentar os desafios atuais e futuros e aproveitar as oportunidades oferecidas pela crescente necessidade de energia para alimentar as economias globais e locais nas próximas décadas.

2 – Quais seriam as soluções para os problemas que o país atravessa?

Tempos como o atual trazem desafios, mas também oportunidades. Ciclos são temporários e precisamos estar preparados para o futuro. No Brasil especificamente, como resposta aos desafios atuais, a GE tem investido US$ 1,5 bilhão entre 2011 e 2020 – parte deste montante é dedicado à pesquisa e inovação em digitalização, uma vez que nossa meta é nos tornarmos a maior companhia Digital Industrial do mundo, aumentando a eficiência das máquinas e otimizando produções.

Além dos campos de pré-sal, onde a exploração offshore ainda é uma das áreas mais relevantes para o desenvolvimento de petróleo e gás no Brasil, há também muitas oportunidades pós-sal e campos maduros. O País é um mercado-chave para a GE Oil & Gas e tem importância estratégica no crescimento da companhia. Investimos e continuaremos investindo de forma a atender à demanda do mercado. A GE acredita no potencial brasileiro e compromete-se a dedicar recursos para buscar inovações que possam ajudar o Brasil a atingir altos níveis de produtividade. Estamos aqui para o longo prazo.

3 – Quais as perspectivas para 2017? Pessimistas ou otimistas?

Como GE Oil & Gas, não estamos focados na volatilidade do curto prazo. Ao invés disso, vemos os fundamentos desta indústria como sólidos e robustos ao longo prazo, uma vez que as demandas de energia continuam a existir. A tendência é que a população mundial aumente nas próximas décadas, o que criará uma necessidade de energia que deve ser alimentada. Também temos de nos lembrar da importância do setor petrolífero para o mundo, enquanto enfrentamos um momento crucial neste momento. Há tantas grandes oportunidades a serem desafiadas, que é importante para nós, como uma empresa de energia, continuarmos demonstrando aonde o desenvolvimento de tecnologias pode nos levar.

fernando-del-royFernando Del Roy – Gerente executivo comercial e de marketing da Açotubo

1 – Como analisa os acontecimentos de 2016 em seu setor?

O setor sofreu muito com a crise política e econômica, pois o envolvimento das maiores  empreiteiras aliados ao uso da Petrobrás para fins escusos resultou em um cenário catastrófico neste 2016 para o setor de Oil & Gas. Até mesmo o setor de manutenção dessas grandes empresas foi precarizado. Com isso, nosso ano foi bem complicado.

2 – Quais seriam as soluções para os problemas que o país atravessa?

Acredito que o país está tomando medidas corretas, mas, sem força no congresso e com o envolvimento de mais e mais políticos todos os dias, isso tem deixado o país paralisado. Acredito que com as reformas passando, somadas a pacotes de investimentos, podemos começar a ter alguma reação no segundo trimestre de 2017.

3 – Quais as perspectivas para 2017? Pessimistas ou otimistas?

No Grupo Açotubo, temos nos reinventado nestes últimos anos e, portanto, somos uma empresa que acredita no futuro e entende que o pior já passou. Como temos varias linhas no nosso portfolio (tubos, aço, Inox, conexões, trefilados e serviços), o grupo oferece sempre soluções otimizadas para seus clientes. Por isso acreditamos em um ano com maiores possibilidades, pois a qualquer movimento de reação o grupo está preparado para atender a demanda. A preocupação dos acionistas foi de não perder seus profissionais e toda a capacidade técnica que o grupo acumulou durante esses anos, então estamos prontos para uma retomada do mercado.

Por Daniel Fraiha

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