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Investimentos de R$ 60 bi vão abrir 20 mil empregos no ES

Investimentos serão em áreas como siderurgia, mineração, papel e celulose.
Indústria, infraestrutura, petróleo e gás também devem crescer em 5 anos.

Nos próximos cinco anos, o Espírito Santo vai receber investimentos da ordem de R$ 60,5 bilhões em áreas como siderurgia, mineração, petróleo e gás, papel e celulose, infraestrutura e indústria em geral e gerar mais de 20 mil empregos, sendo 13.800 durante a implantação de projetos e outros 7.012 na operação dos empreendimentos.

Os números, que trazem uma injeção de ânimo em meio a um cenário de recessão e negócios minguados especialmente nos últimos dois anos, foram apresentados nesta sexta-feira (17) durante o lançamento da 10ª edição da Mec Show, feira metalmecânica, que irá acontecer de 18 a 20 de julho, na Serra.

No evento, realizado na Federação das Indústrias, a projeção desses investimentos – feita pela DVF Consultoria – e o anúncio de outras oportunidades deram o tom de mais otimismo do empresariado, de executivos e representantes de instituições de classe e do governo que estavam presentes.

O presidente do Centro Capixaba de Desenvolvimento Metalmecânico (Cdmec), Durval Vieira de Freitas, responsável pela apresentação dos números, destacou que nessa carteira de R$ 60 bi, o setor de petróleo e gás é o que mais tem peso. São cerca de R$ 44 bilhões a serem investidos tanto em mar (offshore) quanto em terra (onshore) nessa área.

Freitas chamou a atenção ainda para a representatividade desse número a nível nacional. “Enquanto o estado representa 2,2% do PIB do país, quando falamos de investimentos, ele vai receber até 2021 5,3% do previsto para o Brasil. Isso demonstra que teremos muitas oportunidades e devemos estar preparados para fornecer produtos e serviços cada vez com mais qualidade”.

Para tratar do tema central do evento: “Investimentos previstos – Oportunidades e Desafios”, participaram o diretor da Agência Nacional do Petróleo (ANP), Waldyr Barroso, o vice-presidente de operações da Arcelor Mittal, Jorge Luiz, o diretor de operações logísticas da Vale, Fábio Brasileiro, o diretor industrial da Fibria, Paulo Silveira, e o secretário de Desenvolvimento, José Eduardo Azevedo.

Todos eles foram unânimes em ressaltar os desafios que o país vem enfrentando, mas frisaram que o pior já passou e que, aos poucos, os investimentos vão ser retomados.

“E para que o Espírito Santo possa sair na frente nessa retomada, é fundamental que as empresas ocupem espaços de destaque”, defendeu Azevedo ao citar ainda o bom ambiente de negócios.

Os palestrantes defenderam também a inovação e a busca por novos clientes, inclusive fora do Estado e do país. Paulo Silveira lembrou que foi por meio da inovação que o setor de papel e celulose no país aumentou em 70% a produção nos últimos 10 anos.

Na ocasião, Fábio Brasileiro também comentou sobre a pressão do mercado em relação à retomada das atividades das usinas 1 e 2 da Vale. “Estamos discutindo o tema, afinal, existe uma lacuna no mercado em função da paralisação da Samarco. Mas ainda estamos estudando as soluções”.

Definição sobre ferrovia em 2018
A definição sobre a expansão da ferrovia Vitória-Minas – para conectar o Complexo de Tubarão ao futuro Porto Central, em Presidente Kennedy – deverá acontecer somente no final do ano que vem. É o que afirmou ontem o diretor de operações logísticas da Vale, Fábio Brasileiro, durante participação em evento na Findes.

Segundo ele, a empresa e os órgãos envolvidos no projeto ainda têm uma série de etapas a cumprir antes de bater o martelo sobre o empreendimento. O diretor ponderou que o governo federal tem uma agenda relacionada a outras ferrovias e que a da Vale deve ser a terceira ou quarta a ser chamada para discussão.

Enquanto isso, a companhia segue estudando as possibilidades e trabalhando na definição do valor do investimento para a antecipação da renovação do contrato de concessão, que vence em 2026.

Questionado se esse valor é de R$ 1 bilhão, como já foi divulgado, ele informou que o cálculo que chegou a essa cifra está desatualizado e se referia a um projeto antigo. Mas o diretor não adiantou se a expectativa é de que o empreendimento atual custe mais ou menos.

Fábrica de bio-óleo espera política adotada por Trump
Um dos projetos esperados para sair do papel no estado é o da fábrica de bio-óleo, da Fibria, que prevê investimentos da ordem de R$ 450 milhões. Mas a companhia ainda aguarda ter mais clareza sobre alguns pontos, como a definição do local – Aracruz ou uma cidade paulista -, e ainda sobre quais serão as políticas de mercado adotadas pelo governo de Donald Trump.

A cautela vem do fato de que o produto, uma espécie de combustível, tem como principal mercado-alvo os Estados Unidos.

“Precisamos aguardar as políticas que serão adotadas pelo governo americano. Estamos acompanhando para ver se há alguma mudança e aí tomar a decisão”, afirmou ontem o diretor industrial da Fibria, Paulo Silveira, sem citar quando isso deve acontecer.

Na mesma ocasião, o executivo falou sobre o investimento que a empresa tem em seus planos, de R$ 300 milhões a R$ 350 milhões, em um processo de branqueamento para uma das unidades da planta de Aracruz.

“Estamos conversando ainda, mas esse projeto entra no nosso planejamento para os próximos dois anos”, completou.

O segmento de petróleo e gás promete ser um dos setores que vai contribuir para o país e o Espírito Santo saírem mais rápido da crise. Investimentos de ordem bilionária serão gerados no estado com exploração, produção, novos leilões e movimentação na cadeia de produtos e serviços.

É o que afirmou ontem o diretor técnico da Agência Nacional do Petróleo (ANP), Waldyr Barroso, que esteve no estado, durante o lançamento da 10ª edição da Mec Show.

Segundo o diretor, somente em relação aos contratos de concessão nos 14 blocos exploratórios offshore (mar), serão investidos pelas empresas R$ 500 milhões em 2017.

Já nos 16 campos em produção, a previsão para este ano é de investimentos de R$ 650 milhões. Além de outros R$ 60 milhões nas atividades terrestres entre os 47 campos ativos do onshore. Juntos, a injeção de recursos é superior a R$ 1,2 bilhão.

Barroso também chamou a atenção, durante sua palestra, sobre as novas possibilidades com os leilões previstos.

“O Espírito Santo terá quatro setores na 14ª Rodada, além de duas áreas em oferta na 4ª Rodada de Acumulações Marginais, que acontece em maio. Além disso, há o projeto Topázio (venda de campos terrestres pela Petrobras), que irá ser um marco de oportunidades para as pequenas e médias empresas”.

Sobre o terceiro leilão do pré-sal, que também acontece neste ano, o diretor da ANP não adiantou se o Espírito Santo terá áreas incluídas. “Isso está em avaliação no governo”.

Mesmo sem dar detalhes sobre o certame, Barroso disse estar otimista com os leilões previstos, especialmente os do pré-sal, que devem ter um elevado grau de atratividade.

“Planejamos nos próximos três anos ter dez leilões de áreas diversas, incluindo o pré-sal. E pelo interesse de empresas como Exxon, Total, Petronas e Shell acreditamos que estamos de novo em um movimento favorável”. (Fonte)

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