Energia

Janela para acordo de Mercosul e UE está fechando, diz ministro português

Para o ministro de Infraestrutura de Portugal, Pedro Marques, é preciso “fazer força” para concluir o acordo do Mercosul com a União Europeia antes que o ambiente político barre acertos de livre-comércio. Em sua avaliação, há cada vez mais “tensões” que podem colocar em risco a finalização do tratado.

Ele cita a crise econômica enfrentada por países da Europa e da América do Sul, que aumenta a pressão de segmentos da sociedade por protecionismo, e a campanha eleitoral americana, na qual os dois principais candidatos se manifestam contra o acordo negociado pelos Estados Unidos com países asiáticos.

“Sinto que o momento positivo em relação a liberalização do comércio mundial está se perdendo. Por isso, nossa janela de oportunidade não é muito longa para alcançar acordos”, afirmou à Folha durante visita ao Brasil.

Europeus e sul-americanos falam sobre a criação de uma área de livre-comércio desde 1999. Em 2010, as negociações foram relançadas formalmente. Mas só em maio deste ano houve a chamada “troca de ofertas”, quando cada bloco apresenta sua proposta sobre os produtos que terão tarifa de importação zerada e em qual prazo.

Marques reconhece que a negociação não avançou ainda como se gostaria, mas diz que seu governo está empenhado em defender o acerto.

“Não será por Portugal que o acordo não irá para frente”, diz. “Alguns dos principais países com assento no Conselho Europeu têm setores agrícolas fortes e, portanto, a negociação será sempre difícil”.

O conselho reúne os chefes de Estado dos países-membros para definir a agenda política da União Europeia.

Para o ministro, é preciso pensar em acordos bilaterais enquanto o acerto não sai.

“É o que me parece que nos fará andar mais depressa. Todos temos sentimento de urgência. No Brasil, ninguém quer esperar dez anos para ver crescimento econômico.”

APROXIMAÇÃO

O ministro português veio ao país como parte de um esforço de aproximação com o governo Michel Temer. Nas últimas semanas, mais de dez autoridades do país europeu visitaram o Brasil.

Sua missão é entender os detalhes do novo programa de concessões —que, segundo ele, tem despertado o interesse de investidores portugueses— e divulgar entre empresários brasileiros as oportunidades de negócios em Portugal.

No momento, o país toca projetos de € 2 bilhões (R$ 7,33 bilhões)para ampliar linhas de trens que ligarão portos portugueses com o restante da Europa.

Na avaliação de Marques, o Brasil deveria investir na internacionalização de suas empresas como forma de retormar o crescimento. Neste sentido, Portugal pode ser a base para que as companhias explorem o mercado europeu.

 

 

Fonte: Folha de São Paulo/RENATA AGOSTINI DE SÃO PAULO

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