Mineração

Laudo aponta problemas de drenagem e monitoramento na barragem da Vale em Brumadinho

Um relatório encomendado pela mineradora brasileira Vale SA no ano passado para analisar a estabilidade da barragem de rejeitos que se rompeu em 25 de janeiro a certificou como som, mas levantou preocupações sobre seus sistemas de drenagem e monitoramento, informou o jornal Folha de S. Paulo.

O relatório da TÜV SÜD, com sede na Alemanha, ao qual a Folha disse ter acesso, fez 17 recomendações com o objetivo de melhorar a estabilidade da estrutura e foi datado de setembro de 2018.

Entre os problemas identificados estavam rachaduras nos canais de drenagem. O relatório também recomendou a instalação de um novo sistema de monitoramento capaz de captar pequenos movimentos no solo, segundo a Folha.

A Vale informou em comunicado que seguiu as recomendações do relatório, que descreveu como “rotina”.

O desastre na barragem de rejeitos da mina de ferro do Vale do Córrego, em Minas Gerais, matou pelo menos 134 pessoas, com 199 desaparecidos.

O relatório parece contradizer uma declaração da TÜV SÜD no ​​dia seguinte ao vazamento que disse “com base em nosso estado atual de conhecimento, nenhum dano foi encontrado” durante suas inspeções na represa.

Questões relacionadas à drenagem podem ser cruciais em investigações sobre o que causou a ruptura da barragem, com uma autoridade ambiental estadual dizendo à Reuters que as evidências sugerem que a explosão foi causada pela liquefação.

A liquefação é um processo pelo qual um material sólido como areia perde força e rigidez e se comporta mais como um líquido.

É uma causa comum para o colapso de barragens a montante que contêm resíduos de mineração, conhecidos como rejeitos, porque suas paredes são na sua maioria construídas com rejeitos secos de areia e barro. Os problemas de drenagem podem fazer com que a água penetre nos rejeitos secos, alterando sua consistência e estabilidade.

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