Petróleo

Mercado de petróleo se acalmou, mas risco geopolítico permanece

Os ataques às instalações de petróleo da Arábia Saudita podem ter cortado brevemente a produção diária de petróleo do reino em mais da metade, mas o risco permanece para o abastecimento de um dos maiores exportadores do mundo, e para o Oriente Médio, rico em petróleo.

Os Estados Unidos culparam o Irã pelos ataques de 14 de setembro, que interromperam 5,7 milhões de barris da produção diária de petróleo saudita, ou cerca de 5% da produção mundial.

O evento elevou o petróleo Brent, referência mundial, em 16 de setembro em 14,6%, o maior ganho percentual registrado em junho de 1988, de acordo com a Dow Jones Market Data. No entanto, o Brent caiu 6,5% um dia depois, com o ministro saudita da Energia, o príncipe Abdulaziz bin Salman, dizendo que o país restaurou 50% da produção perdida e esperava produção normal até o fim de setembro.

O incidente mostra que “um ataque sofisticado pode vencer com sucesso as defesas sauditas”, avalia Stewart Glickman, analista de patrimônio energético da CFRA Research. “Os participantes do mercado certamente devem avaliar se isso pode acontecer novamente.”

Os ataques levantaram preocupações mais amplas sobre a fragilidade do mercado global de petróleo. “Os riscos geopolíticos e de conflito continuam favorecendo os preços do petróleo no curto prazo”, diz Rob Haworth, estrategista-sênior de investimentos do U.S. Bank Wealth Management. “Os mercados buscarão entender as perspectivas de continuação ou escalada de conflitos no Oriente Médio, especialmente entre o Irã e a Arábia Saudita, o que pode ameaçar uma proporção significativa do suprimento global de petróleo para muitos países”.

O presidente americano, Donald Trump, ordenou mais sanções ao Irã, depois que a inteligência dos EUA indicou que o país era o palco dos ataques.

“O cenário preocupante para os mercados globais de petróleo é uma escalada do conflito no Oriente Médio entre a Arábia Saudita e o Irã, que pode prejudicar os mercados de produção e transporte, especialmente no Golfo Pérsico”, nota Haworth.

Os ataques, pelo menos por um tempo, também conseguiram apagar efetivamente a maior parte da capacidade de produção de petróleo disponível no mundo, que pode ser usada pelo mercado para compensar a demanda mais alta e os eventos que atrapalham a produção. A Administração de Informações sobre Energia dos EUA define a capacidade não utilizada como o volume de produção de petróleo que pode ser colocado on-line dentro de 30 dias e sustentado por pelo menos 90 dias.

A Arábia Saudita, líder de fato da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), detinha cerca de 2,3 milhões de barris por dia dos 3,2 milhões de barris por dia da Opep em agosto, segundo a Agência Internacional de Energia. A Rússia, não pertencente ao cartel, pode ter alguma capacidade não utilizada, uma vez que reduziu sua produção sob o acordo de corte de produção da Opep+ que começou no início do ano. Glickman estima que Moscou pode adicionar apenas 120 mil barris por dia.

Os EUA podem expandir a produção, mas provavelmente não de maneira significativa, diz Glickman, dado que o país levou 10 anos para aumentar a produção diária em 7,1 milhões de barris, para 12,4 milhões de barris diários em setembro de 2019.

Os sauditas estão trabalhando rapidamente para manter a oferta, mas a tarefa pode se tornar mais desafiadora com o passar do tempo, diz Paul Sheldon, principal consultor geopolítico. “A falta de capacidade não utilizada e os riscos globais aumentados devem adicionar suporte aos preços”, diz ele.

O “Wall Street Journal” informou que a Arábia Saudita estava procurando comprar petróleo e derivados do Iraque e possivelmente de outros vizinhos para compensar a escassez de oferta.

Glickman diz que, para o WTI, petróleo de referência dos EUA, que chegou a US$ 58,11 na quarta-feira, é razoável “um piso aproximado de US$ 60 por barril para compensar o aumento do risco”.

Voltar ao Topo