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Mercados do Brasil assustados por reclamações do ministro sobre reforma previdenciária

Foto: USNews

O ministro da economia do Brasil e o presidente da câmara dos deputados trocaram palavras duras na sexta-feira sobre o progresso na reforma previdenciária, criando mais um obstáculo para os ativos financeiros brasileiros já sentindo o calor da fraqueza do mercado global.

O ministro da Economia, Paulo Guedes, deu o pontapé inicial, rejeitando um relatório do comitê do Congresso para o que ele chamou de mudanças excessivas no projeto de lei de reforma previdenciária do governo, como a eliminação de um plano para lançar contas de poupança privadas.

Rodrigo Maia, presidente da Câmara dos Deputados, criticou as críticas, dizendo que a vontade coletiva prevaleceu como deveria em uma democracia. “Não vamos prestar atenção ao ministro Paulo Guedes e suas recentes agressões contra o parlamento”, disse Maia em uma entrevista na TV.

As queixas de Guedes, ocorridas um dia depois de o chefe de gabinete do presidente Jair Bolsonaro ter divulgado o relatório da reforma da previdência do Congresso como uma “grande vitória”, levantaram preocupações sobre mais tensão entre o governo e o Congresso.

Depois de confrontos com legisladores nos últimos meses, Guedes adotou um tom mais conciliatório, contribuindo para as esperanças dos investidores de uma rápida aprovação da reforma histórica para impulsionar as finanças públicas. Mas seu desdém na sexta-feira foi impressionante.

Falando no Rio de Janeiro, Guedes disse que apenas um projeto de lei que gera cerca de 1 trilhão de reais na próxima década representaria uma reforma real do sistema de previdência social do país, mas cerca de 860 bilhões significa que a questão precisaria ser revisitada em cinco anos. ou seis anos.

Na quinta-feira, o comitê especial sobre o relatório há muito aguardado da reforma da previdência recomendou mudanças no projeto original, reduzindo os 1,237 trilhão de reais de poupança do governo para 913 bilhões de reais.

Os analistas esperam que isso seja diluído ainda mais, mas o consenso ainda parece ser que algo acima de 800 bilhões de reais seria considerado como um grande passo para colocar o país em um patamar financeiro mais estável.

Os mercados brasileiros se recuperaram na quinta-feira, mas o barulho político azedou o gosto na sexta-feira, e Guedes foi atacado.

“Ele disse o que todos pensavam, mas ele não deveria ter dito isso”, disse um gerente de fundos em São Paulo que não estava autorizado a falar com a imprensa.

O real caiu em torno de 1,2% para 3,90 por dólar, seu pior dia desde o final de abril, e o benchmark Bovespa caiu 0,74%.

Guedes criticou o relatório do comitê por excluir a transição para as contas de poupança privadas, as reformas das aposentadorias dos governos estaduais e municipais e as mudanças na maneira como os idosos, os deficientes e os trabalhadores rurais são tratados.

Maia disse que o comitê especial votará no projeto de lei entre 25 e 26 de junho e, em seguida, o apresentará ao plenário para aprovação final da câmara antes do recesso do Congresso no final de julho.

(Reportagem de Rodrigo Viga Gaier e Maria Carolina Marcello; Escrita por Jamie McGeever; Edição de Chizu Nomiyama e Will Dunham)

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