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Os 10 erros de português que podem prejudicar a sua carreira

Ideias criativas nem sempre são suficientes para garantir que o seu texto esteja bom. Para ganhar respeito e credibilidade com aquilo que você escreve, é necessário se expressar respeitando algumas regras de português que, caso sejam ignoradas, podem prejudicar o seu trabalho.

Assim, desenvolver os seus conhecimentos linguísticos é algo que pode auxiliá-lo a se comunicar com mais competência e desenvoltura, evitando que você cometa certos erros de português que podem comprometer não apenas os seus textos, mas também a sua imagem.

Pensando nisso, selecionamos 18 erros de português que podem prejudicar a sua carreira e alguns truques para melhorar a sua escrita. Confira!

1. Eu / Mim

Um erro muito comum é a utilização do termo “mim” na conjugação de verbos. Para não errar, vale lembrar de uma regra básica:

  • Mim NÃO conjuga verbo.

Dessa forma, em vez de dizer:

  • Você comprou os ingredientes para mim fazer torta? (Errado)

Você dirá:

  • Você comprou os ingredientes para eu fazer uma torta? (Certo)

Dessa forma, o “eu” será empregado quando o sujeito da oração for um verbo no infinitivo.

Já no caso do pronome oblíquo “mim”, via de regra, será empregado após algumas preposições, como “de”, “para” e “por”, ou no final de frases. Veja:

  • Quero que você olhe para mim.

2. Há / a

Ambos podem ser utilizados na indicação de tempo, sendo que:

“Há” deve ser empregado na indicação de tempo passado, transcorrido, e é equivalente a “faz”:

  • Há dias que não vou à igreja.

Já a partícula “a” deve ser empregada na indicação de tempo futuro:

  • Daqui a um mês, sairei de férias.

3. Anexo / Anexa

Essas palavras são muito utilizadas, principalmente em ambientes de trabalho ou por qualquer pessoa que utilize o e-mail como ferramenta de comunicação.

Para não ficar na dúvida na hora de redigir os seus e-mails, vai aqui uma regrinha básica:

A palavra “anexo” atua como adjetivo e deve, dessa forma, concordar com o termo a que se refere (geralmente, um substantivo ou pronome substantivo). Veja os exemplos abaixo:

  • Segue anexa a procuração.

A palavra “anexa” concorda com o termo a que se refere, que, nesse caso, está no feminino — “a procuração”.

  • Seguem anexos os relatórios.

Nesse caso, a apalavra “anexos” está concordando com o termo “os relatórios”, estando, por isso, no masculino e no plural.

Note que o termo “seguir” também adequa-se à concordância da oração.

  • Segue anexas as imagens. (Errado)
  • Seguem anexas as imagens. (Certo)

4. Mas / Mais

Apesar de muito parecidas, essas duas palavrinhas ainda causam bastante dor de cabeça para muita gente.

O termo “mas” é uma conjunção e o seu significado equivale a “contudo”, “entretanto” e “todavia”.

  • Ele treinou muito, mas não conseguiu ganhar a corrida.

Já o termo “mais” pode ser um pronome ou um advérbio de intensidade. É o contrário de “menos”.

  • Ela fez mais amigos nesta escola.

5. Cessão / Sessão / Seção

E agora? Com escritas e pronúncias tão parecidas, mas com significados diferente, esses termos são frequentemente confundidos e podem prejudicar a vida profissional de quem não souber escrevê-los corretamente.

“Cessão” tem sentido de “ceder”, “dar”.

  • Ela fez a cessão dos seus bens para os pobres.

“Sessão” se refere ao intervalo de tempo que dura algum acontecimento, como a programação de TV, uma reunião, um trabalho.

  • Fomos à última sessão do cinema

“Seção” significa o mesmo que “cortar”, “subdividir”, “partilhar”.

  • Hoje, fui promovido para uma nova seção da minha empresa.

6. Ao invés de / Em vez de

Enquanto um é utilizado como oposição a algo, o outro é empregado como uma substituição.

“Ao invés de” transmite a ideia de que uma coisa é contrária à outra.

  • Ao invés de subir as escadas, desceu correndo.

“Em vez de” é sinônimo de “no lugar de”

  • Em vez de ir ao cinema, podemos ir ao boliche.

7. Por que / por quê / porque / porquê

“Por que”

Quando for equivalente a “pelo qual” ou “por qual motivo”.

  • Esta é a situação por que passo todos os dias é constrangedora.

Se ocorrer no final da oração, deverá receber o acento:

  • Por que você não foi à reunião?
  • Você faltou à reunião por quê?

“Porque”

Quando for equivalente a “pois”, geralmente utilizado em explicações.

  • Ganhou o prêmio porque se dedicou bastante.
  • Não fui à escola porque estava doente.

“Porquê”

Quando o termo em questão se tratar de um substantivo, nesse caso, deverá estar precedido de um artigo ou um termo que o determine como substantivo.

  • Ninguém sabe o porquê de tanta violência.

8. Aonde / onde

O termo “aonde” é empregado junto a verbos que transmitem a ideia de movimento. É equivalente a “para onde”:

  • Aonde você pensa que vai?

Dessa forma oposta, junto aos verbos que não transmitem a ideia de movimento, devemos utilizar o termo “onde”:

  • Onde estão as planilhas?

9. Faz / Fazem

Na indicação de tempo passado, o verbo “fazer” é constantemente utilizado de forma errada. Isso porque, nesse caso, ele deve sempre ser impessoal, isto é, deve sempre permanecer no singular.

  • Faz três meses que não tiro férias. (Certo)
  • Fazem três meses que não tiro férias. (Errado)

Em outros casos, o verbo “fazer” deve concordar com o sujeito.

  • Todos fizeram um excelente trabalho em equipe.

10. Através / Por meio

É comum que o termo “através” seja utilizado no lugar de “por meio”. Mas saiba que cada um deles transmite ideias diferentes:

“Através” transmite a ideia de “atravessar”, “através de algo”.

  • Ela olhava fixamente através da janela. (Certo)
  • Hoje estudei através do meu livro novo. (Errado)

Já o termo “por meio” sugere a ideia de intermediação, “por intermédio de”.

  • Hoje, concluí meu curso por meio da internet.

11. Este/ Esse; Isto/Isso

Até os mais experientes costumam cometer erros de português relacionados aos pronomes demonstrativos, principalmente em redações.

“Este” e “isto” são palavras que se referem a proximidade de tempo de quem está narrando ou para introduzir uma ideia nova, que ainda não foi apresentada anteriormente.

Já “esse” e “isso” são usados para retomar um termo, uma oração ou uma ideia que já foi citada, para se referir a algo que está distante do narrador ou a uma ideia no tempo passado ou futuro. Pode também servir como uma referência de proximidade ao ouvinte.

  • Criar polêmicas: esse é o meu propósito
  • O meu propósito é este: criar polêmicas
  • Este ano está passando muito depressa. Esse mês acabou tão rápido que nem percebi.
  • Adorei esse colar que você está usando (o colar pertence ao ouvinte).
  • Isto é meu (o “isto” pertence ao falante).

12. Afim / A fim

A palavra “afim” tem um sentido de afinidade, quando há uma sensação de proximidade ou características semelhantes entre objetos ou pessoas.

  • Eles convidaram todos os seus parentes e afins.
  • Nossos projetos de vida são afins.

Já a expressão “a fim” vem acompanhada da ideia de finalidade ou objetivo. Na linguagem coloquial é comum ainda utilizar expressões como “estar a fim de” com o significado de estar interessado em alguém ou com vontade de fazer algo. Esse tipo de colocação deve ser evitada em situações ou documentos mais formais.

  • Estou a fim de ir (com vontade) ao cinema hoje.
  • Eu estudei bastante a fim de passar no vestibular.
  • Ela não está tão a fim de você.

13. Meio / Meia

A palavra “meio” pode ser utilizada no sentido de “metade”, variando de acordo com a palavra que a acompanha. Quando faz referência a expressões como “mais ou menos” ou “um pouco” ela não varia, já que assume a função de advérbio.

  • Comemos meio tabuleiro de acarajé.
  • Ele acordou ao meio-dia.
  • A situação anda meio (um pouco) complicada na minha casa.

Já a palavra “meia” pode se referir a flexão da palavra “meio”, enquanto numeral fracionário ou adjetivo, quando faz referência a “metade”; a uma peça da vestimenta ou a uma redução do termo “meia-dúzia”.

  • Comemos meia fatia de pizza.
  • Ele acordou ao meio-dia e meia (hora).
  • Andei 2 léguas e meia para chegar até a sua casa.
  • Esqueci de calçar a meia e agora sinto o meu pé “calejar”.

14. Pretensão / “Pretenção”

Esse é um erro muito comum na elaboração de um currículo profissional, em e-mails e cartas que demonstrem interesse em uma determinada vaga, ou pior: durante a fase de contratação para um cargo.

A palavra “pretensão” se refere ao ato de solicitar ou almejar algo. No âmbito profissional, uma pretensão salarial é o valor mínimo desejado para ocupar um determinado cargo. Já a palavra “pretenção” não existe na língua portuguesa.

  • Tenho como pretensão salarial o valor de um salário-mínimo. (Certo)
  • Tenho como “pretenção” salarial o valor de um salário-mínimo. (Errado)

15. Senão / Se não

A expressão “se não” é uma união de uma conjunção e de um advérbio. Um truque para usá-la corretamente é substituí-la por expressões como “quando não” ou “caso não”, ou tentar inserir outras palavras entre o “se” e o “não” sem que a frase perca o sentido. Por exemplo: “se você não conseguir chegar a tempo, terei que ir embora”.

É preciso ficar atento também a introdução de frases objetivas diretas como “perguntei a ele se não queria sair comigo”.

Já a palavra “senão” pode substituir termos como “do contrário”, “exceto”, “mas sim”, “mas também”, “de outro modo”, “porém” e “a não ser”, ou servir como substantivo em frases que indicam uma qualidade negativa.

  • O apartamento tem apenas um senão: ainda não está mobiliado (substantivo).
  • Terei que chegar pontualmente ao processo seletivo, senão serei desclassificado.

16. Mal / mau; Bem / bom

As palavras “mau” e “bom” são adjetivos, portanto servem para qualificar pessoas ou situações. Já “mal” e “bem” podem ser substantivos ou advérbios.

  • Você trata as pessoas tão bem. Que bom o seu pai ter te trazido para cá!
  • Ele está sempre bem-humorado. Nunca está de mal com a vida e tem um bom coração!
  • O mau humor às vezes é contagioso.

17. Tem / Têm

A conjugação do verbo “ter” pode produzir erros bem simples, mas que são perceptíveis para quem está lendo ou avaliando a sua escrita. Quando conjugados na 3º pessoa do plural eles ganham o acento circunflexo.

  • Elas não têm a mínima ideia de quem eu sou.
  • Aqueles pássaros têm asas enormes.
  • Bill Gates tem muito dinheiro.

18. Haver / a ver

Mesmo com uma pronúncia idêntica, é preciso ter cuidado com o uso da palavra “haver” e da expressão “a ver”, já que elas não têm sentidos semelhantes. Enquanto a primeira é um verbo, a segunda traz um sentido de afinidade entre coisas ou pessoas.

  • Como ela pode ser sua irmã? Vocês não têm nada a ver uma com a outra.
  • Como os rodoviários estão insatisfeitos com o salário, pode haver paralisação amanhã.

Nem só os estudantes e profissionais da área de Humanas precisam ficar atentos aos erros de português. Independentemente da sua profissão, é imprescindível ter uma escrita impecável para redigir e-mails para membros da equipe que você trabalha, memorandos e documentos profissionais.

Esses erros podem ser decisivos também durante o processo seletivo para uma vaga. A maioria dos recrutadores elimina currículos com problemas já mesmo na primeira fase. Fique atento também à concordância, regência verbal, uso da linguagem coloquial ou de abreviaturas da internet, pontuação e uso da vírgula. Ela nunca deve separar sujeitos do seu predicado ou estar entre os verbos e os seus complementos, por exemplo.

Se ater às regras gramaticais é uma forma de otimizar o seu desempenho linguístico antes mesmo da chegada à graduação (durante a redação para o vestibular ou envio de uma carta de intenção para uma bolsa de estudos em uma instituição de ensino) e a melhor maneira de obter mais sucesso e bons resultados na sua vida profissional.

Com isso, você poderá alavancar sua carreira por meio de habilidades importantíssimas e estimadas no mercado de trabalho, além de se tornar o profissional modelo que tem a confiança daqueles com quem trabalha e é uma referência para quem o conhece.

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