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Petrobras terá que aumentar combustíveis com crise no Oriente Médio, diz analistas

Ainda que os preços do petróleo se estabilizem no mercado internacional na faixa dos US$ 70 o barril, após a alta provocada pela crise aberta pelo assassinato de um líder militar iraniano no Iraque na semana passada, analistas avaliam que a Petobras terá que aumentar os preços da gasolina e do diesel em suas refinarias nos próximos dias.

Especialistas do setor ouvidos pelo GLOBO argumentam que o reajuste é inevitável não só para evitar prejuízos à Petrobras, mas também como uma forma de demonstrar a investidores que não haverá ingerência do governo na política de preços dos combustíveis, que devem seguir a variação do mercado internacional.

O sinal é considerado essencial para manter o interesse dos grupos interessados na compra das oito refinarias que a estatal pôs à venda.

Para Adriano Pires, do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE), a Petrobras terá que aumentar seus preços ainda nesta semana, com o petróleo em torno de US$ 70 o barril e a cotação do dólar acima de R$ 4.

A Petrobras está esperando primeiro a poeira baixar e verificar em que patamar de preços o petróleo vai ficar para fazer o reajuste. Como fez em setembro do ano passado, quando houve um ataque (atribuído ao Irã) a refinarias na Arábia Saudita. Com os preços do petróleo nesse patamar e o câmbio elevado também, a Petrobras tem que aumentar os preços da gasolina e do diesel ainda esta semana. Não tem jeito, e a prioridade da Petrobras é privatizar as refinarias.

Para o especialista, o governo deveria aproveitar o momento para discutir uma política pública com mecanismos capazes de proteger os consumidores de impactos de eventos mundiais no preço do petróleo e, consequentemente, dos combustíveis.

Segundo Pires, o mecanismo de proteção financeira (hedge) adotado pela Petrobras para o diesel e a gasolina desde o ano passado não é suficiente para impedir o repasse da atual alta de preços internacionais do petróleo nas refinarias. Ele sugere a criação de um fundo financeiro, que funcionaria como um colchão para amortecer impactos externos e impedir disparadas repentinas nos preços:

O governo deveria criar um grupo de trabalho para estudar a criação de um fundo de estabilização, para o país ficar menos vulnerável a esses fatores externos de conflitos e guerras. Não vejo como controlar o ICMS, pois quando os preços sobem nas bombas, o ICMS também sobe.

Edmar Almeida, professor do Instituto de Economia da UFRJ, também acredita que logo a Petrobras vai reajustar seus preços. Para o especialista em petróleo e gás, o governo deveria aproveitar a discussão da reforma tributária para avaliar também mudanças na tributação dos combustíveis que pudessem ajudar a proteger o Brasil de alterações repentinas no preço internacional do petróleo:

Deveria se discutir uma proposta de mudança estrutural nos tributos sobre os combustíveis, de forma que eles pudessem absorver, quando necessário a volatilidade dos preços internacionais.

No caso do ICMS, imposto estadual que é calculado a cada 15 dias com base nos preços de venda da gasolina e do diesel para os consumidores, Almeida sugere que poderia se adotada uma periodicidade maior. Para o professor, a Petrobras não tem condições de “segurar” o reajuste da gasolina e do diesel nos próximos dias, já que importa parte do petróleo que refina.

Se a companhia acumular prejuízos e esperar a queda do preço internacional da commodity para compensá-los, corre o risco de perder mercado para os importadores privados de combustíveis.

Pedro Galdi, analista da Mirae Asset, também acredita que a Petrobras vai elevar preços nos próximos dias. Ele viu como positiva a reunião do presidente Jair Bolsonaro com o presidente da Petrobras, Roberto Castello Branco, o ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, e outros integrantes do governo na tarde dsta segunda feira para demonstrar que não haverá interferência política nos preços dos combustíveis.

Essa reunião foi importante para mostrar que não haverá ingerência política na Petrobras, e isso vai tranquilizar o mercado. Acho que a Petrobras está analisando com calma a evolução dos preços internacionais, em qual patamar vai se estabilizar o preço do petróleo, e aí reajustar seus produtos.

A atual política de preços da Petrobras

Em outubro de 2016, ainda na gestão de Pedro Parente, a Petrobras anunciou uma  nova política de preços com reajustes mensais para os combustíveis baseados nos preços do petróleo no mercado internacional, nas variações do câmbio e em oportunidades do mercado interno. Mais adiante, os reajustes deixaram de ter data definida, podendo variar até diariamente.

Em setembro de 2018, a companhia mudou sua política de preços para a gasolina. A empresa adotou um mecanismo de proteção financeira (hedge) para evitar o repasse imediato da volatilidade do preço internacional do petróleo para o do combustível. Com isso, os reajustes diários passaram a ser a cada 15 dias.

Em março do ano passado, já na gestão do atual presidente, Roberto Castello Branco, a Petrobras adotou o mesmo mecanismo de proteção para o diesel que poderia ter reajustes, no mínimo a cada 15 dias. Mas, a partir de junho do ano passado, a Petrobras anunciou uma nova mudança em sua política de preços, acabando com a periodicidade fixa.

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