Petróleo

Petróleo: Investidores nunca gostaram tanto da Opep

Os investidores estão apostando alto que os cortes da Opep são reais.

Os gestores de recursos mostram o maior otimismo da história em relação ao petróleo West Texas Intermediate pela segunda semana seguida em meio a sinais de redução da produção da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) e de outros países. O grupo diminuiu a oferta em 840.000 barris por dia no mês passado, segundo pesquisa da Bloomberg, e a Rússia, maior produtora de fora da organização a fazer parte do acordo, reduziu sua produção em 117.000 barris por dia. O WTI é negociado acima de US$ 50 por barril nas últimas sete semanas, o que incentiva os investidores de Wall Street a financiarem mais perfurações nos campos de xisto dos EUA.

“O dinheiro inteligente está começando a perceber que os cortes de produção da Opep são reais”, disse Phil Flynn, analista de mercado sênior da Price Futures Group em Chicago, por telefone, na sexta-feira. “Parece que a parte da crise do ciclo da história do petróleo já passou.”

O petróleo subiu 19 por cento desde que a Opep fechou acordo, no fim de novembro, para diminuir a produção em um esforço para reduzir o excedente global. Com o crescimento da demanda global superando o aumento da oferta em outras partes do mundo, os cortes da Opep poderão reduzir os estoques em até 2 milhões de barris por dia neste ano, disse Andrew Hall, fundador do hedge fund Astenbeck Capital Management, em carta aos investidores.

Os hedge funds ampliaram suas posições compradas, ou a diferença entre as apostas no aumento do preço e as apostas no declínio, em 2,4 por cento, para 379.927, no período de uma semana que terminou em 31 de janeiro, nível mais elevado registrado desde 2006, mostram dados da Comissão de Negociação de Futuros de Commodities dos EUA. O WTI caiu 0,7 por cento, para US$ 52,81 o barril, durante a semana citada.

As reduções de produção de janeiro foram lideradas pela Arábia Saudita, a maior produtora da Opep, que diminuiu sua produção em meio milhão de barris por dia. A redução da Rússia foi “mais de duas vezes mais elevada que os planos iniciais das companhias”, disse o ministro de Energia, Alexander Novak.

Um possível imposto fronteiriço nos EUA de alguma forma também pode dar impulso aos preços e à exploração. O possível imposto pode fazer com que o WTI suba 25 por cento, disse Ebele Kemery, gerente de portfólio e chefe de investimento em energia do JPMorgan Asset Management.

Contudo, a produção total da Opep continua 550.000 barris por dia acima da meta estabelecida no acordo. Os estoques de petróleo dos EUA continuam crescendo, segundo dados da Administração de Informação de Energia dos EUA, que mostraram que os estoques atingiram o nível mais alto desde agosto. Hall disse que os cortes da Opep só se refletirão nos estoques dos EUA neste mês por causa do aumento da oferta do Oriente Médio antes do acordo e do tempo necessário para que os navios-petroleiros cheguem aos EUA.

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