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Quando se trata de empresas estatais, o Brasil é a China da América Latina

Privatização. É a terceira palavra mais suja na América Latina, logo atrás do antigo Consenso de Washington e do Fundo Monetário Internacional, embora todos os três tipos andem de mãos dadas. Nas Américas, nenhum país se enfurece contra a privatização como o Brasil. Nas Américas, nenhum país tem mais empresas estatais do que o Brasil, tornando-se a China da América Latina.

Pior ainda, comparado aos estados membros da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico, o Brasil tem mais SOEs do que todos eles. Quantos: 418 para ser exato, comparado ao segundo lugar da Hungria com 370, de acordo com a OCDE. O México tem apenas 78. A Colômbia tem 39 SOEs e o Chile o menor, com 25. A Argentina não é membro da OCDE, mas tem apenas 41 SOEs.

Dito isso, o Brasil tem muito material para vender. E vendê-lo deve como a carga da dívida do país se aproxima de 90% do seu PIB, de acordo com o temido FMI. Ou o Brasil reduz drasticamente os gastos com direitos, um movimento altamente impopular, ou começa a vender suas SOEs para investidores privados. Empresas como a holding Eletrobras podem ir, o Banco do Brasil pode ir, a BR Distribuidora, da estatal Petrobras, também pode ir. Todos esses itens serão considerados itens de alta qualidade para o Brasil e investidores corporativos estrangeiros.

O novo governo de Jair Bolsonaro prometeu perder algum peso na SOE.O principal problema é que as pessoas no governo têm a mesma probabilidade de ver fraqueza econômica do que desvalorizar esses ativos. Ainda assim, nas semanas que antecederam a vitória de Bolsonaro, os valores das ações subiram, com muitos analistas achando que têm espaço para se movimentar.

“Acho que a euforia continua”, diz Craig Botham, economista de mercados emergentes da Schroders, em Londres.

Os brasileiros odeiam privatização. Assim que Bolsonaro coloca à venda uma dessas marcas corporativas, os manifestantes dos sindicatos saem às ruas. Vender as joias da família para pagar os banqueiros e reduzir as despesas gerais do governo não é bom para o público.

Seria uma das mais quentes estatais brasileiras em disputa se o novo governo vendesse o Banco do Brasil, uma das maiores poupanças e empréstimos do país. (Fotógrafo: Adriano Machado / Bloomberg News)

“Esta não é uma justificativa suficiente para conquistar a opinião pública”, disse Sergio Lazzarini, professor do Insper, uma escola de negócios de São Paulo, ao jornal Estado de São Paulo em um artigo publicado no sábado. Com base em uma pesquisa com 1.200 brasileiros neste ano sobre privatização, apenas 17,3% disseram que gostaram da ideia. Quando perguntado se era uma boa idéia privatizar ativos do Estado para pagar dívidas, esse número caiu para apenas 14,9%. Não fica muito melhor quando se diz que a privatização pode levar a serviços melhores e mais competitivos. Nesse caso, menos de 30% disseram que era uma boa ideia vender as SOEs.

Se Bolsonaro segue a opinião pública, o Brasil continuará sendo a China da América Latina em termos de empresas estatais.

Muitas das empresas estatais do Brasil são negociadas publicamente, incluindo Petrobras, Eletrobrás e Banco do Brasil. Dessas três entidades, apenas as estações de gasolina da Petrobras e a Eletrobrás foram lançadas como leilão.

Apenas 18 das mais de 400 empresas estatais brasileiras dependem totalmente do financiamento do governo, de acordo com seu Departamento do Tesouro. Eles empregam cerca de 73.500 pessoas. Das 18 empresas, 10 são agências cujas finanças são quase 100% dependentes do governo federal. No ano passado, o Tesouro gastou R $ 14,6 bilhões (US $ 4,05 bilhões) administrando essas 18 empresas. Essas entidades são não produtoras de renda e insucessos instantâneos para investidores privados. Empresas como essa permanecerão ligadas ao governo. Mas nomes maiores, aqueles cujas datas de vendas podem levar a indignação emocional e preocupação, serão os primeiros alvos de Bolsonaro.

O presidente eleito do Brasil, Jair Bolsonaro: a privatização de grandes ativos estatais pode ajudar a aliviar parte da dor associada aos cortes nos direitos. Nenhum movimento será fácil. Fotógrafo: Christopher Goodney / Bloomberg

Isto é, se ele cumprir sua promessa de cortar gastos sem se tornar radical demais com a reforma previdenciária.

Há seis maneiras de domingo para Brasília acabar com isso. Alguns argumentarão que novas leis precisam ser feitas porque as privatizações também custam ao Estado algum dinheiro. Sem mencionar as rigorosas leis trabalhistas que dificultam o fogo dos trabalhadores.

Uma economia fraca foi superada por uma perspectiva geralmente positiva no mercado acionário brasileiro, elevando os valores corporativos. A privatização de algumas empresas-chave das empresas estatais não resultará em um incêndio, ao passo que o governo brasileiro é o vendedor em dificuldades que distribui as coisas a baixo custo.

O Banco do Brasil ainda é barato. Ele está sendo negociado com ganhos de aproximadamente 10 vezes, mesmo quando o valor de suas ações subiu 35%. Em comparação, o banco privado Itaú Unibanco é negociado 13 vezes, o que é mais caro que o Citibank nos EUA. Outras empresas não são tão baratas. A Eletrobras Holding Company negocia múltiplos de 20 vezes o lucro, o que é mais caro do que a AES Tietê, de propriedade norte-americana, em São Paulo, uma empresa de energia hidrelétrica. A Eletrobras também é mais cara que a Duke Energy nos Estados Unidos, com base no preço dos lucros.

 

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