Mineração

Queda do estoque chinês dá suporte ao minério, Brent tem alta de 2,6%

O minério de ferro e o petróleo tiveram comportamentos bem distintos ao fim do terceiro trimestre. O minério de ferro encontrou suporte no movimento de reestocagem das siderúrgicas chinesas, especialmente diante da proximidade do feriado prolongado do Dia Nacional celebrado nos primeiros dias de outubro, e encerrou setembro com ganhos acima de 10% no mercado transoceânico. Com esse desempenho, a commodity anulou parte da perda de quase 30% acumulada entre julho e agosto e o ganho em 2019 avançou a 28,4%.

De acordo a publicação especializada “ Fastmarkets MB ”, o minério com teor de 62% negociado no porto de Qingdao avançou 2,78% ontem, a US$ 93,38 por tonelada. Na Bolsa de Commodity de Dalian, os contratos mais líquidos, para janeiro, avançaram 13 yuans, a 655,59 yuans por tonelada.

Segundo analistas ouvidos pela Fastmarkets, estoques limitados de finos de minério de Pilbara contribuíram para o avanço no mercado futuro. Além disso, um movimento de reestocagem de última hora por parte de siderúrgicas chinesas, em preparação ao feriado que se estenderá até o fim da semana, contribuiu para a alta.

No curtíssimo prazo, a tendência de valorização dos contratos futuros de produtos siderúrgicos e a expectativa de maior demanda de aço na China podem sustentar a curva ascendente, segundo analistas e participantes de mercado ouvidos pela publicação especializada.

De acordo com a Fastmarkets, palestrantes da conferência da Associação de Ferro e Aço da China (Cisa, em inglês) demonstraram “otimismo cauteloso” em relação à demanda de minério no retorno do feriado prolongado. No acumulado do ano até agosto, a produção de aço no país asiático subiu 9%, para 665 milhões de toneladas – pela primeira vez na história, o país poderá atingir a marca de 1 bilhão de toneladas de produção anual ou ficar muito perto dela.

Ao mesmo tempo, há receio de que o mercado experimente nova correção a partir do fim de outubro, quando começa a temporada sazonalmente mais fraca no ano para o setor. Analistas de bancos de investimento também destacaram em relatório que as remessas de minério para a China, a partir do Brasil, cresceram nas últimas semanas, contribuindo para o maior equilíbrio entre oferta e demanda no mercado global.

Já o barril do petróleo negociado em Londres, teve comportamento bem diferente do minério. Em setembro, a alta no barril do Brent foi de 2,6%, fechando ontem a US$ 60,78. Segundo Gabriel Francisco, analista de Energia, Petróleo e Gás da XP Investimentos, a cotação deverá permanecer neste patamar, visto que não há grande pressão da demanda mundial. “Se não acontecer um movimento significativo no lado da demanda, o mercado irá continuar neste ritmo. Para dezembro, a expectativa é de preço na casa de US$ 59,55.”

Segundo ele, mesmo com o atentado à refinaria Saudi Aramco, em meados de setembro, que reduziu a oferta da Arábia Saudita, o maior produtor da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), não houve reflexo positivo na cotação do barril em setembro. “Arábia Saudita usou muito estoque para atender os contratos. E o cenário de alta por tensão geopolítica não se traduziu.”

Para Walter Vitto, analista de óleo e gás da Tendência Consultoria, os preços não devem reagir até o fim deste ano, em função da desaceleração da atividade econômica mundial. “O mercado está muito pautado na questão do humor com relação à guerra comercial entre China e Estados Unidos. Tudo vai depender das tratativas entre os países. Do contrário, nada deve mudar”, disse Vitto ressaltando que o cenário é de oferta em expansão, principalmente nos EUA, e de demanda mundial em queda.

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