Petróleo

Regulação contribuiu para ausência de petroleiras privadas em leilões

O presidente da Petrobras, Roberto Castello Branco, comentou a ausência de petroleiras privadas nos leilões de petróleo realizados na quarta e na quinta-feira. Segundo ele, que participou nesta sexta-feira de um seminário na Fundação Getulio Vargas (FGV), no Rio, foi um reflexo das complexidades regulatórias no Brasil.

“Na minha concepção, a maior barreira à atração de investimentos foi a complexidade regulatória”, disse. “O caso do Brasil é muito complexo”, continuou. “Eu fiquei pensando e me vendo no papel de um CEO de uma empresa americana pedindo conselho de administração autorização para investir bilhões de dólares e tendo que explicar: tem conteúdo local, tem cessão onerosa, tem regime de partilha”, enumerou.

Para Castello Branco, o projeto de Lei sobre conteúdo local em discussão no Congresso Nacional é muito pior do que o modelo existente. “Experiência brasileira com conteúdo local é desastrosa, com perda de produtividade e corrupção”, disse. Ainda segundo o executivo, a exigência de conteúdo local atrasou produção de petróleo e arrecadação de impostos.

Assim como mencionado pelo diretor de exploração da empresa Carlos Alberto Oliveira, em teleconferência essa manhã para detalhar performance da Petrobras nos leilões de petróleo realizados essa semana, Castello Branco afirmou que a empresa irá instalar cinco novos sistemas de produção no campo de Búzios, localizado na bacia de Santos.

Na quarta-feira, o consórcio Petrobras/CNODC/CNOOC, formado pela petroleira brasileira e pelas duas estatais chinesas de petróleo, arrematou o bloco durante a Rodada de Licitações do Excedente da Cessão Onerosa.

“A Petrobras já conhece muito bem porque já explora esse campo. Não existe investimento em exploração, só a ampliação de nossas operações”, disse. “Se prevê pelo menos cinco novos sistemas de produção a serem instalados”, completou Castello Branco.

O executivo disse que o custo de extração, por barril, em Búzios, é de cerca de US$ 4 dólares, valor resiliente a cenários de preço baixo de petróleo, ao redor de US$ 40 por barril.

BR Distribuidora

Castello Branco afirmou também que há possibilidade de fazer outra operação para reduzir a participação na BR Distribuidora. Na visão do executivo, a privatização da empresa, realizada neste ano, se mostrou um sucesso, abrindo caminho para mais uma fase.

Hoje a estatal do petróleo possui uma participação de 37,5% na distribuidora. “Temos em mente fazer outra operação para reduzir participação na BR”, afirmou.

Voltar ao Topo