Petróleo

Shell vê preços do barril a caminho da normalidade

O presidente da Shell no Brasil, André Araujo, acredita que, depois da escalada dos preços do petróleo que estressou a economia global na segunda-feira, o mercado caminha para se ajustar. Uma das maiores petroleiras do mundo, a multinacional mantém um olho nas notícias que vêm do Oriente Médio e afetam suas áreas de atuação e outro nas mudanças da indústria de energia. A companhia se prepara para aumentar sua presença em renováveis e dedicar uma atenção especial ao gás natural – combustível fóssil, mas menos poluente que o diesel e carvão. Ao colocar o Brasil entre os destinos prioritários de seus investimentos, a empresa mira oportunidades em energia solar no país, ao mesmo tempo em que busca mercados para o seu gás do pré-sal.

Para Araujo, a volatilidade dos preços do petróleo, nesta semana, “não muda em nada” o mercado. “Historicamente, [o setor de óleo e gás] sempre trabalhou com volatilidade. Não é primeira vez que temos guerras, boicotes e momentos que criam uma tensão grande que se reflete em 24 horas no preço da commodity. A tendência, com as informações que temos hoje [ontem], é de que mercado vai caminhando para um centro de preço muito ligado à oferta e demanda”, afirmou o executivo, a jornalistas, durante o Eco-marathon Brasil, competição de eficiencia energética em veículos promovida pela empresa.

No primeiro dia de negócios após o ataque de drones às instalações de produção da Arábia Saudita, o preço do barril tipo Brent subiu 14,6%, na segunda-feira, cotado a US$ 69,02, mas cedeu nos dias seguintes, em meio ao anuncio do governo saudita, de que espera recuperar a produção até o fim do mês. Ontem houve uma nova alta, de 1,2%, a US$ 64,40, diante das informações de que o país árabe está importando barris para honrar com suas entregas ao mercado. Na semana, a alta acumulada é de 6,8% nos preços da commodity.

A Shell é a segunda maior produtora de óleo e gás do Brasil, atrás apenas da Petrobras. Sócia da estatal em dois dos principais campos do pré-sal (Lula e Sapinhoá), a multinacional está atuante na busca por mercados para o gás. Segundo Araujo, a petroleira avalia desde novos investimentos em geração – a companhia detém uma fatia de 29,9% noconsórcio responsável pela termelétrica Marlim Azul (565 megawatts), em Macaé (RJ) – e a oportunidades no mercado livre de gás natural.

“A gente percebe um volume bem razoável no setor industrial. A perspectiva de ter mais disponibilidade de gás começa a atrair grandes setores industriais. [O setor industrial] Vai ser um grande complemento como alternativa de gás”, afirmou.

A Shell produz 14 milhões de metros cúbicos diários (m3 /dia) de gás, no Brasil, o equivalente a 11% de todo o volume produzido no país. Hoje, esses recursos são vendidos para a Petrobras, que compra de seus sócios o gás dos campos do pré-sal. A estatal, porém, se comprometeu junto ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) a não renovar seus contratos para compra de gás de terceiros, o que abre oportunidades para empresas como a Shell.

Araujo disse, no entanto, que a “grande oportunidade” de negócios, neste momento, está na busca de clientes para o gás extra que virá do aumento de sua produção e que não tem contrato com a Petrobras. Um primeiro passo, nessa direção, foi a entrada da empresa no projeto de Marlim Azul, como fornecedora de gás e sócia do consórcio que vai operar a térmica. Além do gás produzido no Brasil, a Shell também busca aumentar sua presença no mercado brasileiro por meio da importação de volumes da Bolívia – onde a empresa também produz. Nesse sentido, a companhia mantém negociações com as distribuidoras de gás canalizado, em busca de novos clientes.

A Shell também tem a intenção de entrar no setor de geração de energia solar no mercado brasileiro. Araujo disse que a empresa tem investido entre US$ 1,5 bilhão e US$ 2 bilhões por ano em “novas energias”, mas que pretende elevar esse patamar para US$ 3 bilhões anuais, com foco em renováveis. Ele acredita que o Brasil será um dos destinos prioritários de seu crescimento nessa área.

“Há países que são prioritários e o Brasil é um deles… Estamos estabelecendo nossa equipe de novas energias, no Brasil. Temos um grupo já estabelecido na área solar e estamos buscando oportunidades. Não temos uma pressão de termos projetos numa data especifica, mas vamos buscar projetos que façam sentido e sejam competitivos. Em algum momento vai sair alguma coisa”, afirmou.

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