Indústria

‘Vento brasileiro deve abraçar a quarta revolução industrial’

É claro que a energia eólica está liderando a transição para longe dos combustíveis fósseis e continua a impressionar com sua competitividade, desempenho e confiabilidade. Aqueles de nós no setor de energia eólica poderiam falar sobre isso o dia todo.

Mas é importante que expandamos nossas discussões para as inevitáveis ​​interrupções no mercado de eletricidade em geral.

Os elementos de ruptura são claros: as energias renováveis, como a eólica e a solar, têm apresentado taxas de crescimento notáveis, fornecendo energia mais barata, que é rapidamente construída e tem um impacto ambiental muito baixo. Mas, além disso, vemos que os preços das baterias caíram consideravelmente, e veículos elétricos (VEs) estão se preparando para um boom nos próximos anos – ambos terão um grande impacto na demanda de energia.

Além disso, o crescimento de híbridos, distribuídos e microgeração também representará grandes desafios para os sistemas convencionais de transmissão e distribuição.

Também devemos ter em mente que a economia mundial está se movendo para o que os acadêmicos estão chamando de a quarta Revolução Industrial. Isso nos trará a Internet das Coisas, inteligência artificial, big data, blockchain e conexões cada vez mais rápidas. E tudo isso – além da crescente demanda por VEs e aquecimento e resfriamento elétrico – exigirá mais energia.

A eletricidade será a espinha dorsal do novo futuro.

De certa forma, a primeira onda de ruptura já ocorreu devido à introdução de vento e PV distribuídos. Isso obrigou a indústria, o governo e os órgãos reguladores a repensarem a forma de operar a rede que estava acostumada a um sistema baseado em grandes usinas hidrelétricas e termelétricas.

Agora, enfrentamos uma nova e mais complexa onda disruptiva.

Em geral, as empresas têm considerado esse futuro em seus modelos de negócios e projeções, mas acreditamos que é necessário falar mais sobre elas coletivamente e, especificamente, com entidades governamentais, já que mudanças regulatórias serão necessárias.

A menos que façamos isso, corremos o risco de sermos invadidos pelas mudanças e perdermos a vantagem competitiva que a energia eólica ganhou no Brasil nos últimos anos.

Para a indústria eólica, a tecnologia avança em redes e a Internet das Coisas mudará como OEMs produzem ou até mesmo realizam O & M em suas turbinas, mas a transformação mais ampla do setor de energia – incluindo EVs, baterias mais baratas e mudanças nos sistemas de transmissão – nos trazer um choque de nova demanda de eletricidade. Embora isso crie novas oportunidades, ele precisa ser estrategicamente pensado.

É por isso que decidimos montar um programa para o Brazil Windpower 2018, a fim de dar início a discussões que considerem esse futuro – em todos os seus aspectos.

Nosso painel de abertura, por exemplo, discutirá essas tecnologias emergentes e o que a quarta Revolução Industrial significará para o Brasil.

Os desafios que esse futuro nos traz são importantes e precisamos de diferentes pontos de vista e diversidade de conhecimento para avançar e fazer as mudanças que colocarão o Brasil em uma boa posição para lidar com as rupturas. É isso que pretendemos colocar em prática durante os três dias de discussões no BWP 2018.

Élbia Silva Gannoum é presidente-executiva da Associação Brasileira de Energia Eólica ABBEólica

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