Energia

WEG entra no setor de geração de energia com resíduos sólidos

A WEG está preparando sua entrada em um novo negócio: a geração de energia a partir de resíduos sólidos urbanos. Ideal para municípios de médio porte, de 100 mil a 130 mil habitantes, a solução envolve a construção de uma usina que faz a gaseificação dos resíduos sólidos, com geração de 2,5 MW ou 5 MW de energia. “Ainda estamos avaliando o tamanho do mercado, mas conhecemos o potencial do negócio, que é totalmente alinhado com a estratégia da companhia de oferecer sempre produtos com apelo ecológico e de sustentabilidade”, disse Eduardo da Nóbrega, diretor superintendente da WEG Energia.

A tecnologia da gaseificação foi desenvolvida por um parceiro da WEG, cujo nome não foi informado. Segundo Nóbrega, os demais componentes da usina, como turbinas, transformadores, e sistemas de automação e controle, já são todos do portfólio da companhia. Ela vai atuar como “epecista” (jargão que vem da sigla em inglês EPC, que significa um pacote de engenharia, compra de bens e serviços e construção) e as usinas serão entregues em operação aos donos. Apenas a parte das obras civis ficará de fora do pacote.

Ainda não há contratos fechados. Desde o início do ano, a WEG está prospectando clientes em prefeituras e investidores privados, como gestores de aterros sanitários, por exemplo. “Acreditamos que até o fim do primeiro semestre do ano que vem teremos projetos sendo finalizados”, disse Nóbrega.

Segundo o executivo, a solução atende o Pixa, criado em 2010 pelo Ministério do Meio Ambiente, e também o Programa Lixão Zero, lançado em abril deste ano pela mesma pasta, com o objetivo de eliminar os lixões existentes e apoiar os municípios em soluções adequadas à recuperação energética dos resíduos.

“Sabemos que é um mercado que existe, até porque todos os municípios, cedo ou tarde, precisarão se adequar à legislação sobre o tratamento de resíduos sólidos”, disse Nóbrega. Ele admitiu que não é um mercado maduro, o que vai exigir um grande esforço para que seja desenvolvido. As diretrizes do governo em relação à redução de resíduos são vistas como um bom sinal pela companhia. “Isso nos da respaldo e faz com que as coisas andem mais rápido com as prefeituras”, disse Nóbrega.

Agora, a WEG está visitando prefeituras e investidores e fazendo propostas técnico-comerciais. A companhia também está em contato com empresas que fazem tratamento de resíduos e são proprietárias de aterros.

Para a WEG, o desenvolvimento de uma tecnologia própria para o sistema de gaseificação dos resíduos não faria sentido, já que os parceiros passaram anos estudando e se debruçando sobre as características específicas do lixo brasileiro. Segundo Nóbrega, ele tem mais umidade e componentes orgânicos do que em países na Europa ou nos Estados Unidos, por exemplo, o que exige um tratamento diferenciado.

A pesquisa realizada determinou, segundo o executivo, que o processo de aproveitamento energético pela gaseificação é o mais indicado para o lixo brasileiro. Outras alternativas seriam o processo de incineração, que só faz sentido em grandes centros urbanos, e a produção de biogás por aterros ou biodigestores. De acordo com Nóbrega, a WEG terá exclusividade sobre a tecnologia utilizada, que é patenteada e envolve uma taxa “muito baixa” de emissão de gases poluentes, de acordo com a legislação ambiental vigente.

As usinas também podem ser combinadas para potências maiores, caso haja um volume maior de resíduos para isso. A energia gerada será injetada na rede dentro das regras de co-geração, gerando uma receita para o investidor ou prefeitura. Segundo a WEG, isso faz com que o retorno do investimento (“payback”) de uma usina de 2,5 MW seja de aproximadamente 45 meses.

“O retorno é atrativo. Um dono de aterro sanitário já vai receber um valor para tratar o resíduo, normalmente pago pela prefeitura. Além disso, terá também a receita gerada pela produção de energia”, disse Nóbrega.

O tempo de construção de uma usina é de 10 meses a um ano. Dependendo de complicações na parte das obras civis, como necessidade de conexão à rede de energia ou preparação de estrutura para sua construção, o prazo pode ficar maior.

“Estamos fechando mais um elo da corrente para oferecer soluções ao mercado que atendam a demanda por fontes renováveis e sustentabilidade”, disse Nóbrega.

Com atuação de destaque no setor de bens de capital, a WEG tem sede em Jaraguá do Sul, em Santa Catarina, e atua globalmente. No primeiro semestre do ano, o faturamento da companhia cresceu 10,9%, para R$ 6,2 bilhões. O lucro líquido, no período, avançou 11,9%, para R$ 695,8 milhões.

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